Não é novidade que o mercado dos clássicos anda aquecendo o setor automotivo. O mundo está valorizando o analógico em pleno campo digital, e isso reflete no segmento que hoje movimenta bilhões de reais no país, atrai investidores, cria departamentos dentro das próprias montadoras e faz modelos nacionais dos anos 1980 e 1990 atingirem valores que poucos imaginavam há alguns anos.
Dados recentes da FBVA (Federação Brasileira de Veículos Antigos), desenvolvidos em parceria com a FIVA, apontam que o mercado brasileiro de carros clássicos já movimenta cerca de R$ 32,6 bilhões por ano. A conta inclui compra e venda de carros antigos, restauração, manutenção, eventos, turismo, peças, seguros e serviços especializados.
Mercado da restauração
O estudo aponta que mais de R$ 16 bilhões circulam anualmente em manutenção, recuperação de veículos e serviços ligados ao antigomobilismo.
Esse fenômeno brasileiro gira principalmente em torno de carros nacionais que fizeram parte da infância e do sonho de muita gente. Chevrolet Opala, Monza, Kadett, Gol GTI, Escort XR3, Fiat Tempra Turbo e Omega são alguns dos veículos que dispararam de valor nos últimos anos.
Hoje, encontrar algumas versões originais do Opala Diplomata por menos de R$ 100 mil já virou exceção. Algumas configurações ultrapassam R$ 200 mil em negociações privadas e leilões especializados.
Montadoras entrando no mercado
A General Motors lançou, no ano passado, o Chevrolet Vintage, projeto oficial criado para restaurar e modernizar clássicos históricos da marca no Brasil. A iniciativa faz parte das comemorações de 100 anos da Chevrolet no país e envolve modelos icônicos como Opala, Chevette, Monza, Kadett e Omega.
Além das restaurações tradicionais, a GM também aposta nos chamados “restomods”, que mantêm o visual clássico do carro, mas adicionam tecnologias modernas de mecânica, suspensão, conforto e segurança.
Outro exemplo veio da Jaguar Land Rover. A fabricante criou dentro da fábrica de Itatiaia, no Rio de Janeiro, uma área exclusiva para restauração de modelos clássicos da marca. O espaço foi pensado principalmente para antigos Defender, um dos utilitários mais valorizados do universo off-road.
A estrutura funciona quase como uma linha de recuperação premium. Os carros passam por desmontagem completa, revisão estrutural, funilaria, pintura e reconstrução, utilizando processos homologados pela própria fabricante. Sai novo de novo.
Eventos
Os eventos especializados também passaram a ocupar papel importante, que vai muito além dos encontros tradicionais que já movimentam o turismo e o comércio local. Os leilões e exposições premium começaram a registrar cifras cada vez mais altas, refletindo a valorização dos veículos clássicos no país.
Um exemplo recente veio do museu CARDE, em Campos do Jordão (SP), que falou com exclusividade com a CNN sobre a “Venda de Outono”, leilão que aconteceu este ano e que movimentou mais de R$ 26 milhões com 50 carros comercializados e 789 lances registrados, dado ainda não divulgado amplamente ao mercado.
O evento reuniu colecionadores, investidores e entusiastas em torno de modelos raros e clássicos altamente valorizados.
Entre os destaques estavam dois Chevrolet Opala do programa Vintage, da GM, vendidos por R$ 550 mil cada, além de modelos como Jaguar XJ220, Dodge Viper e um Volkswagen Passat GTS Pointer negociado por mais de R$ 400 mil.
Todos os números ajudam a mostrar como o carro clássico consolidou-se como ativo valorizado e mercado de alto padrão no Brasil.
Águas de Lindóia
O Encontro Brasileiro de Autos Antigos de Águas de Lindóia é considerado o maior evento de carros antigos da América Latina. Em 2025, reuniu cerca de 1.500 veículos expostos e público estimado de 530 mil pessoas. Para 2026, a organização fala em mais de 1.000 veículos expostos e cerca de 700 carros à venda.
O EBAA, como é chamado pelo setor, acontece entre os dias 4 e 7 de junho na Praça Adhemar de Barros, no centro da cidade de Águas de Lindóia (SP), com visitação gratuita das 8h às 19h.