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A missão humanitária brasileira na Venezuela deve durar ao menos 30 dias, segundo estimativa do Corpo de Bombeiros de São Paulo, que integra a força-tarefa mobilizada para apoiar as operações de busca e resgate após os terremotos que atingiram o país na última semana.

A estrutura mobilizada pelo Brasil reúne bombeiros militares, integrantes da Defesa Civil, equipes da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), cães farejadores, hospital de campanha, purificadores de água, medicamentos e equipamentos de salvamento. Até domingo (28), a FAB (Força Aérea Brasileira) havia realizado quatro voos humanitários para transportar equipes e insumos à Venezuela.

Além do envio de ajuda humanitária, o governo brasileiro trouxe de volta ao país 13 cidadãos brasileiros que estavam de passagem pela Venezuela e procuraram a Embaixada do Brasil em Caracas em caráter emergencial.

Segundo o Itamaraty, os brasileiros buscaram apoio após o fechamento do aeroporto comercial da capital venezuelana, em meio aos impactos dos terremotos. O transporte foi feito no aproveitamento da aeronave que havia levado ajuda humanitária ao país vizinho e retornaria ao Brasil.

As equipes brasileiras já iniciaram as operações em território venezuelano e atuam principalmente no município de Vargas, no estado de La Guaira, uma das áreas mais atingidas pelos tremores. A missão é coordenada pelo diretor de Preparação e Socorro da Defesa Civil Nacional, Armin Braun.

O quarto voo humanitário partiu na tarde de domingo (28) da Base Aérea de Guarulhos, em São Paulo, com 35 bombeiros militares dos estados de São Paulo e Minas Gerais. O grupo se juntou às equipes que já atuam em La Guaira.

Em entrevista à CNN Brasil, a tenente Olívia, porta-voz do Corpo de Bombeiros de SP, afirmou que a nova força-tarefa viaja com estrutura autossuficiente para atuar no país. Segundo ela, os bombeiros levam equipamentos de proteção individual, alimentação, barracas, combustível e ferramentas usadas em salvamentos, como malhos, esmerilhadeiras e serras sabre.

A tenente explicou que a primeira equipe enviada pelo Brasil partiu com previsão de 15 dias de atuação, prorrogáveis por mais 15. “Durante um mês, nós temos capacidade plena operacional de trabalhar na Venezuela ininterruptamente”, disse.

A operação brasileira inclui também a busca por sobreviventes em chamados “bolsões de vida”, espaços que podem se formar entre os escombros de grandes edificações e permitir que vítimas sobrevivam por dias após desabamentos.

Segundo Olívia, as equipes precisam atuar com cautela, já que a movimentação dos bombeiros e o uso de equipamentos podem desestabilizar estruturas danificadas. Durante as buscas, os profissionais fazem silêncio e usam apitos e lanternas para tentar localizar possíveis sobreviventes.

Ajuda brasileira

A primeira equipe do governo brasileiro decolou na sexta-feira (26), em uma aeronave KC-390 Millennium da FAB, a partir da Base Aérea de Guarulhos. O avião pousou ainda na noite de sexta na Base Militar da Força Aérea Venezuelana El Libertador, em Maracay.

No sábado (27), um segundo voo saiu da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, com hospital de campanha e purificadores de água. Um terceiro voo decolou também no sábado, com kits de medicamentos e módulo complementar para a instalação do hospital de campanha.

A operação é coordenada pela ABC (Agência Brasileira de Cooperação), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. O governo brasileiro afirma que permanece à disposição das autoridades venezuelanas e de organismos internacionais para ampliar o apoio humanitário, conforme as necessidades identificadas.

Balanço da tragédia

Pelo menos 1.450 pessoas morreram após os dois terremotos que atingiram a Venezuela, segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, em pronunciamento televisionado neste domingo. Outras 3.150 pessoas ficaram feridas.

Rodríguez afirmou que o país vive “horas críticas” para continuar salvando vidas. Segundo ele, 12.721 pessoas ficaram desalojadas e 774 edificações foram danificadas ou desabaram, incluindo hospitais.

Os tremores tiveram magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter. A destruição atingiu Caracas e outras cidades venezuelanas, com desabamentos de edifícios e danos à infraestrutura local.

Diante da gravidade da situação, a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência nacional e pediu apoio da comunidade internacional.

A resposta humanitária envolve equipes venezuelanas, voluntários civis e grupos de resgate enviados por outros países. Segundo Jorge Rodríguez, a Venezuela recebeu apoio internacional com 2.624 equipes de resgate e 137 cães de busca.

Outros países também anunciaram apoio. O Peru informou ter enviado mais de 14 toneladas de ajuda humanitária. O Paraguai deslocou 32 militares com treinamento especializado para auxiliar nas ações de busca e resgate.

Militares americanos chegaram à Venezuela no domingo para prestar apoio nas operações de busca. Fuzileiros navais desembarcam para participar dos esforços de assistência humanitária liderados pelo Departamento de Estado americano em apoio às autoridades venezuelanas.



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