Amad Diallo, jogador do Manchester United, que marcou o único gol da Costa do Marfim na vitória contra o Equador, foi vítima de uma rede de tráfico humano, que o levou para a Itália em 2015.
À época em que foi conduzido em uma onda migratória pelo Mediterrâneo, o jogador tinha apenas 13 anos. A organização ilegal falsificava documentos para contrabandear menores africanos para o país da Europa.
Registrado como filho de pessoas que ele não conhecia, Diallo foi levado como irmão de outro jogador, Hamed Junior Traoré, que atua pelo Olympique de Marseille. No entanto, anos depois foi comprovado que os atletas não têm nenhum parentesco de sangue.
Em 2020, o caso de Amad Diallo repercutiu na Itália após ele ser acusado pela Federação Italiana de Futebol (FIGC) de usar documentos falsos para entrar no país. No ano seguinte, ele foi multado em 48.000 euros pela instituição.
De acordo com uma reportagem do jornal The Athletic do fim do ano passado, promotores relataram que o jogador teria sido levado para a região de Reggio Emilia, no norte da Itália, por cinco adultos, que foram presos em 2020 por levarem jovens jogadores para o país de forma ilegal.
“Não era exatamente tráfico humano, porque os jogadores tinham consciência do que acontecia e levavam uma vida razoável com seus falsos pais”, declarou um investigador ao ser questionado sobre o caso, em 2021.
“Não sabemos quanto as famílias receberam nem se parte do dinheiro foi enviada às famílias biológicas na Costa do Marfim”, acrescentou.
Mesmo sem nunca ter conhecido os pais biológicos, Amad Diallo decidiu representar a seleção do país onde nasceu, e no domingo (14), acabou calando a ampla maioria de torcedores equatorianos que fizeram muito barulho no Lincoln Financial Field — o estádio da Filadélfia teve público total de mais de 68 mil pessoas.
Além de deixar a Costa do Marfim em ótima situação, a vitória também quebrou um tabu curioso: a seleção marfinense sempre enfrentou sul-americanos nas fases de grupo de Copas do Mundo, mas nunca havia vencido.