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A OpenAI está planejando a maior reformulação já realizada no ChatGPT, com o objetivo de transformar a plataforma em um “superapp”, integrando ferramentas avançadas de codificação e agentes de inteligência artificial. A estratégia visa ampliar a receita da empresa antes de uma possível abertura de capital no mercado de ações.

Segundo Fernando Miranda, colunista do CNN Money, a iniciativa responde a um desafio central: justificar um valuation de US$ 1 trilhão diante de uma receita de US$ 25 bilhões. “Como é que eles vão justificar esse valuation de um trilhão de dólares com 25 bilhões de receita? É um múltiplo muito exagerado. E aí o que eles estão fazendo agora é criar fatos novos para justificar”, afirmou.

A visão da OpenAI, conforme descrita por Fernando Miranda, é transformar o ChatGPT em algo equivalente ao WeChat, tornando-o o ponto central de todas as decisões tomadas pelos usuários na internet. “A OpenAI não quer ser só um chatbot de conversa de US$ 25. Ele quer ser o concierge da internet“, explicou. Nesse modelo, o usuário poderia, por exemplo, solicitar a compra de passagens aéreas ou produtos diretamente pela plataforma, sem precisar acessar outros sites.

Para avançar nessa direção, a empresa já teria dado alguns passos concretos: passou a exibir anúncios nos Estados Unidos e liberou anúncios no Brasil, além de ter adquirido um dos maiores podcasts de tecnologia norte-americanos. De acordo com Fernando Miranda, a compra custou cerca de US$ 200 milhões e tem como objetivo posicionar a OpenAI como referência nas novas experiências tecnológicas.

Disputa com a Anthropic pelo mercado corporativo

Um dos principais desafios apontados por Fernando Miranda é a concorrência no segmento empresarial. Segundo ele, enquanto a OpenAI consolidou sua presença entre usuários individuais, a Anthropic vem se destacando junto às empresas. “A OpenAI ficou muito forte para o usuário final, aquela pessoa física que usa, mas a Anthropic está dando uma surra nela para as empresas”, declarou.

Diante disso, tanto a OpenAI quanto a Anthropic teriam investido dezenas de bilhões de dólares para abrir braços de consultoria voltados à implementação de inteligência artificial nas empresas. Fernando Miranda ressaltou que o grande volume financeiro estava sendo direcionado a consultorias tradicionais, e que as empresas de IA decidiram disputar esse espaço diretamente.

IA nas empresas brasileiras ainda é incipiente

Ao avaliar o cenário brasileiro, Fernando Miranda foi cauteloso. Segundo ele, apesar do interesse crescente, a adoção efetiva da inteligência artificial pelas empresas ainda está aquém do esperado. “Infelizmente, ainda é muito mais barulho do que resultado de fato”, afirmou, acrescentando que 90% das empresas com as quais teve contato utilizam a IA apenas para interações básicas com chatbots, sem gerar retorno financeiro concreto.

Para Fernando Miranda, as aplicações mais bem-sucedidas até o momento se concentram em atividades criativas, como edição de vídeo e criação de textos. A automação de processos e a análise profunda de dados ainda avançam lentamente no país. Ele concluiu que o maior potencial de receita está na implementação corporativa, mas ponderou que ainda não é possível afirmar com clareza em que medida isso já está ocorrendo de forma efetiva.



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