A Procuradoria-Geral Eleitoral defendeu nesta segunda-feira (22) a improcedência da decisão do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, que determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral do Instituto AtlasIntel.
O levantamento apontava uma redução da vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno da disputa presidencial.
Segundo o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, “a intervenção da Justiça Eleitoral nas pesquisas eleitorais deve ser admitida em casos excepcionais, quando demonstrada a quebra objetiva do dever de equidistância e imparcialidade no levantamento científico”.
A suspensão da pesquisa foi solicitada pelo PL, partido de Flávio. Na ação, a legenda alegou que o questionário utilizava imagens e áudios que associavam o senador a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o que teria influenciado as respostas dos entrevistados.
Ao conceder a liminar, Nunes Marques afirmou haver, de fato, indícios de que a metodologia empregada na pesquisa poderia ter contaminado as respostas dos eleitores.
Para Espinosa, não ficou comprovada manipulação da pesquisa ou direcionamento indevido do eleitorado. “É fato público e notório que o próprio pré-candidato envolvido no diálogo que é objeto de crítica do representante sequer negou a veracidade dos fatos, o que depõe contra a tese de quebra de cadeia de custódia”, disse.
A decisão de Nunes Marques foi submetida ao plenário do TSE. O julgamento, porém, foi interrompido a pedido da ministra Estela Aranha, que solicitou mais prazo para avaliar o caso.