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Cada vez mais pressionado a deixar a liderança do governo, o senador Jaques Wagner (PT-BA) virou alvo de desconfiança e de fogo amigo intenso dentro do PT. Municiada pela dificuldade do senador de explicar parte das revelações da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, uma ala do governo que já desejava um afastamento do senador elevou a pressão junto à direção petista e ao próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT).

Embora seja unânime no PT a avaliação de que o caso de Wagner é grave, interlocutores do senador apontam a existência de um forte movimento para desgastá-lo, reflexo da disputa interna petista.

Wagner, segundo relatos feitos à CNN, já vinha há meses se estranhando com o grupo que hoje comanda a articulação política do governo. A pasta das Relações Institucionais é hoje liderada por José Guimarães, um dos que defenderiam a tese de que é preciso proteger o presidente Lula do desgaste provocado pela ação da PF contra o senador baiano.

Fontes próximas a Wagner dizem que ele vinha sendo “abandonado” na articulação de projetos importantes no Senado. Na outra ponta, a ala crítica ao senador diz que a interlocução com a cúpula do Congresso estava comprometida, dificultando a negociação da pauta estratégica do governo.

Entre os exemplos citados está a crise pública que se instalou há alguns meses na relação de Wagner com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Após a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, Alcolumbre, como revelou a CNN na época, chegou a dizer com todas as letras que não atenderia mais ligações do líder do governo.

Os críticos de Wagner se queixam também da dificuldade do parlamentar de esclarecer as denúncias. Um dos focos de desconfiança é o imóvel que, segundo a PF, teria sido comprado por Augusto Lima a pedido do senador. Wagner disse que pretendia presentear a filha e que pediu ao ex-sócio de Daniel Vorcaro que viabilizasse uma operação para a recompra posterior do imóvel.

Ontem, a defesa de Jaques Wagner divulgou uma nota em que nega que o senador tenha atuado em favor do Banco Master no Congresso e explica o dinheiro encontrado na casa do parlamentar. Mas o documento não faz menção ao apartamento.

Copa

Mesmo em meio à forte pressão interna, líderes petistas dizem que o destino de Jaques Wagner só deve mesmo ser decidido na reunião que ele terá com o presidente Lula. A expectativa é que o encontro ocorra na quarta-feira.

A data é estratégica, lembra um líder importante do PT ouvido pela CNN e que acompanha de perto as negociações. Caso se confirme o esperado afastamento da liderança, a notícia virá a público durante o jogo do Brasil, o que tende a diminuir expressivamente a repercussão negativa do caso. Mas outras opções têm sido colocadas na mesa, como uma saída do cargo só mais à frente ou uma eventual licença do senador.

A Copa, aliás, tem servido como argumento entre os que defendem a permanência do senador no posto. Embora a ação da PF tenha mobilizado intensamente o meio político, essa ala argumenta que levantamentos internos indicam que o mundial de futebol vem dominando as interações nas redes, reduzindo expressivamente o alcance da crise. A tese, nesse caso, é que demitir Wagner geraria um fato novo e aumentaria o desgaste do governo.



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