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A ata do Copom referente à reunião dos dias 16 e 17 de junho, divulgada nesta terça-feira (23), foi recebida com apreensão por atores do mercado financeiro.

O documento, que explica o último corte que deixou a taxa Selic em 14,25% ao ano, reforçou a cautela e destacou os riscos inflacionários, mas manteve aberta a possibilidade para qualquer decisão futura — seja a manutenção da taxa, um novo corte ou até mesmo uma elevação.

O que o Copom disse na ata

Segundo avaliação da analista de Economia da CNN Lucinda Pinto ao CNN Prime Time, o texto dividiu opiniões entre economistas, embora tenha provocado uma reação positiva nos preços dos ativos.

“O Copom disse que está aberto a acompanhar os dados e vai olhar a evolução do cenário para tomar a próxima decisão”, explicou Lucinda.

“Ele não se comprometeu com nada, mas diante dos riscos que apresenta, é mais provável que mantenha a taxa inalterada“, acrescentou. Na prática, segundo a analista, o Copom elevou a exigência para que um novo corte de juros seja retomado.

Os três pontos centrais do documento

Lucinda destacou três pontos que resumem a mensagem transmitida pelo Banco Central na ata. O primeiro é o reconhecimento de que o cenário de inflação se deteriorou, exigindo uma política monetária mais contracionista — ou seja, juros mais elevados para conter o consumo e conduzir a inflação em direção à meta.

O segundo ponto diz respeito às incertezas relacionadas à guerra e às consequências já materializadas do conflito, como a alta do petróleo, que provocou reajustes de preços em diversas cadeias produtivas.

O terceiro ponto reforça os impactos da política fiscal sobre a pressão inflacionária, ao retomar a avaliação de que os estímulos econômicos colocados pelo governo no mercado contribuem para gerar inflação — um risco adicional que o Banco Central precisa monitorar.

Por que o mercado reage mal à incerteza

A preocupação central do mercado, conforme explicou Lucinda, não é com o nível dos juros em si, mas com a possibilidade de que o Banco Central ceda a pressões externas e deixe de cumprir seu papel de controlar a inflação.

“O ponto é que existe uma preocupação de que o Banco Central acabe cedendo a pressões e não faça o seu trabalho, que é controlar a inflação”, afirmou a analista. Ela lembrou que as próprias projeções do Banco Central já estão acima de 5%, enquanto o teto da meta é de 4,5%.

A reação negativa ao comunicado divulgado na semana anterior se deveu à percepção de que o Banco Central poderia ser mais leniente e estender o ciclo de cortes de juros, a despeito da inflação elevada.

A ata desta terça-feira (23) buscou desfazer essa impressão, sinalizando disposição para adotar as medidas necessárias. Ainda assim, muitos economistas esperavam um compromisso mais firme com o encerramento do ciclo de cortes — o que não veio.

Para Lucinda, os dados e as comunicações do Banco Central nos próximos dias devem encaminhar o mercado para a percepção de que talvez não haja espaço para novos cortes e que a Selic permaneça nos atuais 14,25%.

Sobre a questão da guerra e seus efeitos sobre o petróleo, a analista reforçou que o Banco Central leva esse fator em consideração. “O petróleo caiu, mas será que isso vai se refletir, e quão rápido vai se refletir sobre a economia? Esse é o ponto de atenção, o ponto de incerteza”, concluiu Lucinda Pinto.



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