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A participação dos brasileiros nas classes D e E caiu para o menor patamar desde o início da série histórica da consultoria 4Intelligence, em 2012.

Em 2025, 19,4% da população — cerca de 41 milhões de pessoas — vivia em domicílios com renda per capita de até R$ 760 por mês, abaixo dos 31,6% registrados no início da série.

O movimento reflete uma melhora consistente do mercado de trabalho nos últimos anos, combinada aos programas de transferência de renda, que permitiram que milhões de famílias migrassem para as faixas intermediárias de renda.

“O mercado de trabalho responde por aproximadamente 70% da renda das famílias. Quando ele está aquecido, consegue incorporar pessoas que normalmente têm maior dificuldade de acesso ao emprego”, afirma Bruno Imaizumi, economista da 4Intelligence e responsável pelo levantamento.

“Já os programas sociais, quando bem desenhados, têm enorme potencial para retirar famílias das classes mais baixas e facilitar sua entrada no mercado de trabalho”, pontua.

Segundo ele, os dois fatores atuaram em conjunto para reduzir a pobreza ao longo dos últimos anos. Ao mesmo tempo, faz um alerta de que o desenho atual de programas como o Bolsa Família e o BPC (Benefício de Prestação Continuada) apresenta distorções que reduzem parte dessa eficiência desde meados de 2022.

O estudo mostra que a classe A também ganhou espaço na pirâmide social. A participação desse grupo passou de 2,7% da população em 2012 para 3,8% em 2025, ultrapassando a marca de 8 milhões de brasileiros com renda domiciliar superior a R$ 7.989 por pessoa.

Enquanto isso, a classe média segue concentrando a maior parte da população. As classes C1 e C2 representam cerca de 56% dos brasileiros.

Mobilidade ainda depende da economia

Apesar dos números positivos, a consultoria avalia que essa ascensão social ainda é bastante vulnerável.

Isso porque boa parte das famílias que deixou as classes mais baixas ainda não conseguiu acumular patrimônio ou reservas financeiras suficientes para enfrentar períodos de crise.

“Essa melhora depende diretamente de um ambiente econômico favorável. Não basta apenas haver emprego. Também é importante que a inflação permaneça controlada, que os juros sejam mais baixos e que o poder de compra continue crescendo”, afirma Imaizumi.

Na avaliação do economista, à medida que a economia continua avançando, o mercado de trabalho tende a acompanhar esse movimento, elevando o rendimento real das famílias.

O principal risco para essa trajetória é uma aceleração da inflação, que reduz o ganho real da renda e pode limitar novos avanços na mobilidade social.

Os dados ajudam a explicar por que a queda da pobreza observada nos últimos anos ainda não significa uma mudança estrutural da distribuição de renda no país.

Mesmo com menos brasileiros nas classes D e E, a desigualdade permanece elevada. Em 2025, a renda domiciliar per capita média das famílias da classe A chegou a R$ 14.214 por pessoa — cerca de 31 vezes superior aos R$ 453 registrados entre as famílias das classes D e E.

Para especialistas, isso mostra que o Brasil avançou na redução da pobreza, mas ainda enfrenta o desafio de transformar essa melhora conjuntural em uma mobilidade social mais permanente.



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