O Japão empatou com a Suécia em 1 a 1 nesta quinta-feira (25), ficou em segundo lugar no Grupo F e confirmou que será o adversário do Brasil na próxima fase da Copa do Mundo. É um time de jogo tático, muito organizado, mas o Brasil pode se destacar individualmente e confirmar o favoritismo se evitar falhas.
Antes vistos como uma seleção de menor estirpe, hoje os samurais azuis podem se gabar de ter jogadores que atuam em equipes europeias como Celtic, Crystal Palace e Real Sociedad. Mas ainda assim não são times do calibre de Arsenal, Barcelona e Real Madrid, onde atuam alguns dos principais craques da Seleção Brasileira.
A partida acontece na próxima segunda-feira (29), às 14h (de Brasília), em Houston, no Texas, Estados Unidos. Quem vencer garante vaga nas oitavas de final da Copa, quem perder volta para casa.
Histórico recente de vitórias
O Japão venceu diversos adversários difíceis nos últimos anos. Pela primeira vez na história, derrotou a Inglaterra por 1 a 0 em Londres, em março deste ano. Ganhou da Alemanha por 4 a 1 em 2023. Na Copa do Mundo do Catar, em 2022, venceu a Espanha mesmo com apenas 18% de posse de bola – um jogo que evidencia a tese de um time disciplinado, eficiente no contra-ataque e que não precisa da bola para matar o jogo.
Contra o Brasil, o retrospecto é favorável ao Brasil: de 14 jogos, foram 11 vitórias da Seleção, dois empates e só uma derrota. Mas a única vez que o Japão venceu foi justamente a mais recente, o amistoso de outubro do ano passado.
Desde o jogo contra o Brasil, o Japão está invicto há oito partidas. Nas últimas duas Copas, os samurais azuis quase enfrentaram a Seleção. Em 2018, os japoneses abriram 2 a 0 contra a Bélgica no segundo tempo, mas levaram gols em contra-ataques e nos acréscimos a Bélgica garantiu a vitória de virada por 3 a 2. A Bélgica passou e enfrentou o Brasil nas quartas. E em 2022, o Japão perdeu para a Croácia nos pênaltis e depois foi a vez do Brasil, que foi derrotado também nos pênaltis pelos croatas nas quartas de final.
Mas a derrota do Brasil no ano passado não é uma boa base de comparação para o jogo de segunda-feira. Apesar de um meio-campo e ataque parecidos com o do amistoso – Casemiro, Bruno Guimarães, Vinícius, Paquetá, Luiz Henrique e Martinelli atuaram no último jogo – a defesa brasileira hoje é bem diferente.
No amistoso de 2025, o Brasil entrou com Hugo Souza no gol, Paulo Henrique, Fabrício Bruno, Lucas Beraldo e Carlos Augusto na linha de defesa. Hoje o sistema defensivo conta com Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá. Portanto, o Brasil mantém uma força de ataque parecida com a que marcou dois gols, mas uma defesa diferente da que levou três na ultima partida.
Porque o Japão é perigoso?
O estilo de jogo japonês é baseado na organização defensiva, com intensidade na marcação, velocidade pelas laterais e transições rápidas para o ataque. É uma equipe com obediência tática e entrosamento, com jogadores extremamente disciplinados, um reflexo de alguns dos traços mais marcantes da sociedade japonesa.
O time tem uma identidade bem consolidada, jogam juntos há algum tempo e 13 também participaram da Copa do Qatar em 2022. O técnico, Hajime Moriyasu, é o mesmo desde 2018, portanto quase oito anos de trabalho com o mesmo estilo de jogo.
No caso do Brasil, 15 jogadores também atuaram no último Mundial, mas em um time que passou por quatro mudanças de técnico no último ciclo e com Carlo Ancelotti ainda buscando entender como encaixar da melhor forma o elenco.
Jogadores
O Japão tem um time que joga com três zagueiros e alas ofensivos, mesclando a disciplina japonesa com ataques rápidos e letais. Entre os jogadores de destaque estão: Zion Suzuki, que atua como goleiro do Parma, na Itália; Takefusa Kubo, meia-atacante do Real Sociedad da Espanha; Daichi Kamada, meia do Crystal Palace (Inglaterra); e Daizen Maeda, atacante, que joga pelo Celtic, na Escócia.
O Japão quase não dribla, mas é um time que vai para o jogo, o que pode ser bom para o Brasil, que cresce no contra-ataque.
O Japão tem jogadores importantes, que atuam em times europeus, mas em equipes menores. Enquanto Maeda joga no Celtic, Vini Jr. no Real Madrid; Kubo no Real Sociedade, Casemiro no Manchester. Até reservas brasileiros, como Gabriel Martinelli do Arsenal, atuam em times mais competitivos que os titulares japoneses.
As duas equipes chegam com potência, mas o Brasil tem a tradição e a qualidade individual que falam mais alto. A Seleção vem evoluindo na competição a cada jogo e uma equipe
estruturada pode ser o incentivo perfeito para o Brasil se organizar melhor e apresentar um entrosamento em um nível mais compatível com o de uma Copa do Mundo.
Cuidado com a defesa, ataque em alta
Os principais alertas para o Brasil devem ser no sistema defensivo. Casemiro precisará de uma atuação mais incisiva no corredor central para evitar que os meias velozes do Japão triangulem com facilidade. Danilo e Douglas Santos terão trabalho para conteros laterais cirúrgicos do Japão.
Pelo lado positivo, o Brasil chega mais confiante depois do bom desempenho de Vini Jr., da consolidação de Matheus Cunha na liderança do ataque e da entrada de Rayan, que encaixou muito bem na equipe substituindo Raphinha.
Tanto Neymar quanto Endrick devem começar no banco de reservas contra o Japão, servindo como substituições de peso para o segundo tempo. Neymar é visto como opção de luxo, A comissão técnica prefere não desgastar Neymar desde o início, mas ele é visto como um uma opção de luxo e um fator de novidade para a segunda etapa. E Endrick pode ser acionado no fim do jogo, como tem acontecido, para aproveitar o cansaço dos adversários com sua explosão.
Confiantes
O atacante Daizen Maeda disse em coletiva nesta quinta-feira (26) que confia na vitória. “Se conseguirmos jogar o nosso jogo e executar, podemos vencer, mesmo sendo o Brasil”.
O técnico Moriyasu destacou que sua equipe ganhou do Brasil no amistoso de 2025 e disse que, por isso, acredita que a motivação brasileiras será mais alta. “Estou ansioso para enfrentar o Brasil que virá com força máxima e totalmente determinado para lutar”, afirmou também nesta quinta, após o empate com a Suécia.
Моriyasu chegou a dizer que o seu objetivo nesta Copa é erguer o troféu em New Jersey e antecipar 24 anos a meta estipulada pela federação do país, de alcançar seu primeiro título até 2050.