A inteligência artificial segue no centro das atenções de investidores e empresas de tecnologia. Segundo Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, as maiores companhias do setor devem investir até US$ 750 bilhões em infraestrutura, desenvolvimento e expansão de projetos ligados à IA ao longo de 2026.
Apesar do entusiasmo em torno da tecnologia, ainda há dúvidas sobre a velocidade com que esses investimentos serão convertidos em resultados concretos para a economia, avalia Thiago.
Além disso, as comparações com a bolha das empresas ‘ponto com’ no início dos anos 2000 são frequentes, mas Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos e economista, avalia que há diferenças importantes entre os dois momentos.
Para Marilia, as empresas que lideram a corrida pela IA apresentam fundamentos muito mais sólidos do que aqueles observados durante a última bolha de tecnologia.
“Nos anos 2000, muitas empresas estavam altamente alavancadas e investiam em modelos de negócio que ainda não haviam sido comprovados. Hoje, empresas como a Nvidia financiam grande parte dos investimentos com recursos próprios, geram muito caixa e possuem margens elevadas”, explica.
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Fontes destaca que a Nvidia ocupa uma posição estratégica na cadeia da inteligência artificial por fornecer a infraestrutura utilizada por diferentes empresas do setor. Na visão dela, isso reduz a dependência de uma única tecnologia ou modelo vencedor.
Apesar das diferenças em relação ao início dos anos 2000, o atual nível de euforia continua sendo acompanhado de perto por gestores e analistas.
Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, observa que, mesmo com receitas e geração de caixa robustas, o risco de concentração excessiva de recursos em uma única narrativa de mercado continua elevado.
“Os gestores enfrentam uma pressão crescente para buscar retornos e acabam direcionando grande parte dos recursos para empresas associadas à IA, o que pode ampliar os riscos caso as expectativas não sejam atendidas”, analisa Pascowitch.
Diante desse cenário, Marilia recomenda que os investidores observem com atenção quais empresas efetivamente se beneficiam do avanço tecnológico. Segundo ela, uma lógica frequentemente utilizada no mercado é a da “corrida do ouro”.
Em vez de apostar apenas em quem encontrará o ouro, investir nas empresas que fornecem as ferramentas necessárias para a exploração pode ser uma alternativa menos dependente de um único vencedor.
“Em uma corrida do ouro, vale a pena olhar para quem vende as ‘pás’. Empresas que participam da infraestrutura da tecnologia podem se beneficiar independentemente de quem será o vencedor final. A Nvidia é um exemplo de companhia que gera lucro e mostra crescimento de receita. Já outras empresas representam apostas muito mais ligadas ao futuro e exigem uma análise mais cuidadosa”, acrescenta.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.