Anúncio


Pilotos da aviação comercial têm evitado relatar fadiga às companhias aéreas por medo de punições e impactos financeiros, segundo o SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas).

De acordo com o presidente da entidade, Tiago Rosa, quando um piloto reporta cansaço, o protocolo de fadiga das empresas é acionado e o profissional é afastado por cerca de uma semana. 

Depois disso, ele é encaminhado a um psicólogo contratado pela própria companhia. Segundo relatos reunidos pelo sindicato, esse processo pode resultar em afastamentos ainda maiores, de até 20 dias, o que é percebido pela categoria como uma forma de punição indireta.

Com isso, segundo Rosa, muitos pilotos preferem não reportar o problema, já que a remuneração na aviação é parcialmente variável. Na Gol e na Azul, por exemplo, há um salário fixo para até 54 horas mensais de voo, com adicionais por hora extra. Já na Latam, o fixo é menor, mas há pagamento variável desde o primeiro voo.

Em nota, a Abear ressaltou que o Brasil tem altos índices de segurança na aviação e que “as companhias brasileiras cumprem rigorosamente os requisitos estabelecidos pela ANAC no regulamento que define as limitações operacionais relativas ao gerenciamento da fadiga para tripulantes e operadores aéreos. A Abear reafirma que segurança é um princípio inegociável para as empresas brasileiras”.

Revisão regulatória

O tema está em revisão na Anac após determinação do Ministério Público do Trabalho, que determinou em maio que a agência revisasse o regulamento de fadiga do setor. O órgão também aponta questionamentos sobre a constitucionalidade do modelo atual, sob o argumento de que a jornada deveria ser definida pelo Congresso Nacional.

Procurada, a Anac informou que a revisão está em andamento e que o tema é relatado pelo diretor interino Antônio Mathias. A agência afirma ainda que pretende dialogar com o sindicato ao longo do processo.

Em 2024, quando o normativo de fadiga foi colocado em consulta pública, o então diretor da Anac, Luiz Ricardo, adicionou ao próprio voto uma recomendação do “Relatório de Avaliação Concorrencial” da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Nesse levantamento da organização, foi apontado que o Brasil tem jornadas de trabalho mais restritivas que em outros países e que há a necessidade de atualizações nesses parâmetros adotando regulamentos internacionais. 

“O Relatório da OCDE é taxativo em elencar as limitações de jornadas presentes no Brasil (…). Reforça-se que voos internacionais com destino ao Brasil, com origem em países estrangeiros, não estão submetidos aos limites estabelecidos pela regulamentação de fadiga, o que prejudica a competitividade de empresas brasileiras em tais rotas, algumas vezes irrealizáveis por causa dos limites atuais do regulamento”, declarou Luiz Ricardo na condição de relator em seu voto.

Atualmente, embora a Lei do Aeronauta estabeleça jornada de até 9 horas, a Anac regula o setor por norma própria, que permite jornadas de até 12 horas, com o mesmo período de descanso. 

O sindicato afirma, no entanto, que a realidade operacional amplia esse limite. Tiago Rosa explica que, na prática, a jornada pode ultrapassar 14 horas quando considerados deslocamentos e exigências operacionais, como a chegada antecipada ao aeroporto.

Nesse sentido, o SNA realizou, há três anos, uma pesquisa para entender se os pilotos se sentiam cansados após as jornadas. O resultado na época foi que havia fortes indícios de fadiga nos profissionais. Rosa declarou que esse cenário permanece até o momento.

Consequências 

O presidente também explicou que as consequências desse cansaço excessivo costuma refletir na performance do piloto, porque com a fadiga, o profissional tende a demorar mais no tempo de reação em caso de problemas na aeronave, além disso, o número de pequenos acidentes costuma ser maior.

Além disso, ainda há a possibilidade de acidentes graves. Como já mostrou a CNN, dados do Cenipa indicam que, nos últimos dez anos, 520 acidentes aéreos no Brasil tiveram fatores psicológicos como contribuição, resultando em 129 acidentes fatais e 272 mortes. 

O debate sobre o tema se arrasta há quase uma década. Desde 2018, o Ministério Público do Trabalho acompanha o caso e já alertou para indícios de que a fadiga extrema também pode levar ao uso de substâncias psicoativas por parte de tripulantes, em situações de exaustão prolongada.



Source link

Últimas Notícias

plugins premium WordPress

MENU

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Colisão frontal deixa jovem em estado grave na PR-158, em Marquinho

ETF ligado à IA permite exposição global ao setor com diversificação

Homem armado atira contra populares, foge em carro de aplicativo e acaba preso pela PM em Cascavel

Copa do Mundo 2026: conheça como a remada viking surgiu na Noruega

Saiba quem são os brasileiros mortos no terremoto que atingiu a Venezuela

PMPR apreende veículos e cigarros e prende homem na divisa do Paraná com Mato Grosso do Sul

Pilotos evitam relatar fadiga por medo de punições e afastamento | Blogs | CNN Brasil

Motociclista fica em estado gravíssimo após colisão com Jeep em Maringá

Bombeiros do Paraná embarcam para socorrer vítimas do terremoto na Venezuela

IA impulsiona investimentos bilionários das big techs