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O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) levantou US$ 100 milhões com sua primeira emissão de Títulos Amazônia, destinados a combater o desmatamento e ampliar o apoio a comunidades locais, e países — incluindo o Brasil — devem seguir o mesmo caminho em breve, disse o presidente da instituição, Ilan Goldfajn, à Reuters.

O título de cinco anos irá pagar um cupom anual de 3,802%. A operação marca o início de um plano para emitir até US$ 1 bilhão desses papéis “ao longo do tempo”, afirmou.

Desenvolvido em parceria com o Banco Mundial, o arcabouço para a operação, com critérios claros para uso dos recursos e mensuração de impacto, foi concebido para também servir de modelo a futuras emissões de terceiros, disse Goldfajn, acrescentando que o governo brasileiro informou ao BID que planeja fazer o mesmo.

O Tesouro brasileiro, que realizou sua primeira emissão soberana sustentável em 2023 a partir de um arcabouço próprio que lançou para esse fim, disse haver estudos em curso “avaliando a possibilidade” da emissão de Títulos Amazônia.

Brasil, Colômbia e Peru estão entre os países que trabalham para proteger mais de 6 milhões de quilômetros quadrados de floresta amazônica, região que abriga mais de 10% das espécies conhecidas do planeta.

A emissão dos Títulos Amazônia faz parte de um pacote de iniciativas do BID de US$ 6 bilhões para impulsionar o financiamento sustentável planejado para a COP30, que ocorre na próxima semana, disse Goldfajn.

Cerca de metade do montante, em torno de US$ 3 bilhões, será destinada a uma linha de hedge cambial oferecida ao Brasil por meio de contrato de derivativos com o Banco Central, que por sua vez repassará o serviço a bancos locais.

Anunciado no ano passado como parte do Eco Invest — programa do governo brasileiro voltado à atração de capital estrangeiro para projetos sustentáveis de longo prazo –, o mecanismo de hedge cambial demorou a avançar devido a desafios técnicos que surgiram pelo fato de representar uma grande inovação ante as opções de proteção cambial existentes no país, afirmou Goldfajn.

O mercado brasileiro de derivativos cambiais é fortemente concentrado em prazos curtos e médios, contrastando com o tempo de financiamento mais estendido que é usualmente necessário para projetos de infraestrutura.

O contrato ISDA entre o BID e o BC brasileiro está previsto para ser assinado na próxima semana e permitirá ao BID usar sua classificação de crédito triplo A para oferecer opções de hedge mais longas e baratas contra oscilações da moeda local.

O real, que perdeu mais de 20% em 2024, já acumula alta de mais de 13% neste ano.

Como parte dos anúncios previstos para a COP30, o governo Lula deve lançar o quarto leilão do Eco Invest, agora voltado a empreendimentos da bioeconomia amazônica e à infraestrutura de turismo de natureza.

O BID também pretende ampliar o acesso a financiamento para cidades da região por meio de uma nova facilidade do programa Amazônia Sempre, a fim de fortalecer a resiliência a enchentes, secas e queimadas, disse Goldfajn.

O projeto foi desenvolvido com países nórdicos que ofereceram garantias para viabilizar os empréstimos, acrescentou ele, sem detalhar valores.

“Quando você fala no exterior da Amazônia, eles pensam na floresta. E por muitos anos, essa ideia levou a uma visão muito curta de combate ao desmatamento”, disse Goldfajn, em referência à prática de remuneração pela preservação como alternativa única de enfrentamento ao problema.

“Nós temos uma visão holística em que, se a gente cuidar das pessoas, oferecer emprego, oferecer renda, oferecer condições de vida de forma sustentável, elas vão poder viver de forma pacífica na floresta.”

O presidente do BID disse que outras iniciativas serão anunciadas nos próximos dias como parte do pacote do banco para a região, incluindo projetos desenvolvidos em parceria com o BNDES.

Ele reconheceu, porém, que a criação de um ETF (fundo de índice) voltado a investimentos sustentáveis na floresta amazônica — inicialmente planejado para ser anunciado durante a COP, em parceria com o BNDES, Banco do Brasil e Caixa — levará mais tempo que o previsto, embora siga na pauta.

Segundo Goldfajn, o ETF precisará contar com as mesmas isenções tributárias dos títulos que pretende incluir no fundo, o que exige mudanças na legislação brasileira.



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