Ex-técnico da Seleção Brasileira e campeão do mundo como jogador em 1970, Emerson Leão ganhou o centro das atenções nesta terça-feira (4), durante participação no 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol.
No palco ao lado de Carlo Ancelotti, atual treinador da equipe nacional, Leão admitiu não gostar da presença de comandantes estrangeiros no país.
Curiosamente, porém, a trajetória vitoriosa do ex-goleiro no futebol brasileiro está diretamente ligada a um técnico de outra nacionalidade. Mais especificamente, um argentino.
Contratado em 1969 pelo Palmeiras após se destacar no Comercial de Ribeirão Preto, Leão chegou ao clube alviverde com apenas 19 anos para ser reserva. Entretanto, rapidamente virou titular.
Sua estreia pelo Verdão foi no dia 16 de abril de 1969, na goleada de 6 a 1 do Palmeiras sobre o Juventus, no Parque Antarctica, pelo Campeonato Paulista. Chicão, então dono da camisa 1, precisou ser substituído aos 36 minutos do segundo tempo e deu lugar a Leão.
O técnico palmeirense, responsável pela primeira oportunidade ao jogador, era o argentino Filpo Nuñez, que inclusive está na história da Seleção Brasileira como um dos quatro únicos estrangeiros a comandar a equipe nacional.
Na edição da Folha de S. Paulo de 17 de abril, dia seguinte à vitória diante do Juventus, não há qualquer menção à atuação do estreante goleiro, mas o nome de Leão está grafado erroneamente como Leon.
Na crônica do Estado de S. Paulo, o diário destaca a importância da goleada para a permanência de Filpo Nuñez no cargo — o argentino seria demitido mais adiante, e Rubens Minelli terminaria o ano de 1969 como campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa.
“Era o intervalo do jogo Palmeiras-Juventus, ontem à noite no Parque Antartica, e o time entrava nos vestiários com um fraco empate por 1 a 1. O técnico Filpo Nunes estava num canto, deprimido, quase chorando, dizendo que os atletas queriam que ele perdesse o emprego. E os palmeirenses voltaram marcando um gol aos 2 minutos, outro aos 7, outro aos 15, outro aos 28 e o último aos 31 — fazendo 6 a 1, a maior goleada do primeiro turno do Campeonato Paulista”, diz o texto do Estadão.
O que disse Emerson Leão sobre técnicos estrangeiros?
Durante o 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, que aconteceu na sede da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), no Rio de Janeiro, o ex-goleiro e ex-técnico Emerson Leão fez um discurso com críticas a profissionais estrangeiros.
“Eu sempre disse que eu não gosto de treinadores estrangeiros no meu país. Antes eu falava que eu não suportava, não suportaria. Não mudo a minha opinião. Mas tenho que ser inteligente o suficiente para dizer que isso tudo tem um culpado. Nós. Nós, treinadores, somos culpados da invasão de outros treinadores que não têm nada a ver com isso”, disse Leão.
Já na reta final de seu discurso, Leão ainda desejou “boa sorte” para Carlo Ancelotti, além de pedir desculpas ao italiano pelo discurso.
“Me desculpe, mas vale a pena. Você tem tudo para se tornar uma pessoa muito importante para os brasileiros. Então, boa sorte no seu futuro. Boa sorte para você também”, completou Leão.
Quem também se mostrou contra os estrangeiros trabalhando no Brasil foi Oswaldo de Oliveira. Em sua fala, o treinador com passagem por diversos clubes como Corinthians, Santos, São Paulo e Kashima Antlers, revelou que quer um brasileiro no comando da Seleção.
“Quando o Ancelotti for embora depois de ser campeão, tomara que volte um treinador brasileiro ao comando da Seleção Brasileira”, bradou Oswaldo.
Diretor da Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol, organizadora do evento na sede da CBF, Alfredo Sampaio criticou a fala de Oswaldo de Olveira e classificou o episódio como “equivocado e desrespeitoso”.