Leniel Borel, pai de Henry Borel, declarou à CNN que vai recorrer da decisão que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros pela morte do filho.
Em entrevista ao Bastidores CNN desta quinta-feira (4), realizada após o encerramento do julgamento, Leniel classificou o que viu no tribunal como uma “aberração jurídica” e denunciou o que chamou de parcialidade da magistrada ao longo de todo o processo.
“O que me foi apresentado é que os jurados já tinham condenado o Jairo e a Monique pelos mesmos crimes, e a juíza conduziu novamente, falando que os jurados não tinham entendido, de uma forma quase direcionada“, declarou Leniel.
Leniel relatou que, ao longo dos cinco anos do processo, observou diversas decisões da magistrada que, em sua avaliação, beneficiaram Monique de forma injustificada, inclusive soltando a ré em situações que, segundo ele, contrariavam decisões do Supremo Tribunal Federal.
“A parcialidade em cima da Monique sempre foi muito clara, não só para mim, como pai, mas para toda a sociedade brasileira”, afirmou.
Na avaliação de Leniel, Monique Medeiros recebeu um “perdão judicial” para um crime doloso contra a vida” e que isso não foi quesitado aos jurados: “foi uma decisão da própria magistrada”.
Segundo Leniel, essa tendência foi percebida não apenas por ele, mas também por pessoas que trabalham no próprio tribunal. “Andei naquele tribunal durante esses dias e ouvi pessoas que trabalham no tribunal falando da parcialidade da magistrada em cima da Monique”, disse.
Fundamentação pautada em “misoginia”
O pai de Henry também questionou a fundamentação da decisão final em argumentos ligados à misoginia. Ele criticou o que classificou como uma política de gênero sendo aplicada dentro dos tribunais brasileiros.
“O Jairo pegou 43 anos porque ele é homem, é isso que estamos vendo? Esqueceram ali que a Monique é mãe, ela é garantidora. Ela é, no mínimo, a responsável pela vida do filho, e ela não o protegeu, isso foi claro”, defendeu Leniel.
Leniel afirmou que, além do recurso, a defesa estuda a possibilidade de requerer a anulação do júri no caso de Monique, com base nas circunstâncias em que a magistrada teria interferido na votação dos jurados. Ele esclareceu que essa medida não seria buscada no caso de Jairo.
Ao refletir sobre o julgamento como um todo, Leniel lamentou que, durante os 11 dias de júri, o foco não teria sido a criança assassinada. “Não vi ninguém falando sobre o Henry. Foi um júri com foco em Monique e Jairo”, afirmou.
Para ele, a decisão final envia uma mensagem equivocada à sociedade brasileira sobre responsabilidade materna e impunidade.