Moradores do norte do Afeganistão iniciaram uma operação de limpeza nesta terça-feira (4), após um forte terremoto de magnitude 6,3 deixar ao menos 27 mortos e quase mil feridos.

O tremor atingiu as proximidades da cidade de Mazar-i-Sharif, no norte do Afeganistão, na madrugada de segunda-feira (3), danificando a histórica Mesquita Azul, segundo as autoridades.

O epicentro, pouco povoado, fez com que o número de mortos fosse menor do que as autoridades temiam.

O Ministério da Saúde Pública do Afeganistão informou que 956 pessoas ficaram feridas.

Centenas de casas foram total ou parcialmente destruídas, segundo a Autoridade Nacional de Gestão de Desastres do Afeganistão, um número que, segundo grupos de ajuda humanitária, é preocupante às vésperas do inverno afegão, quando as temperaturas caem abaixo de zero.

Prédios com risco de desabamento

Nesta terça, moradores de Tangi Tashqurgan, uma área próxima ao epicentro do terremoto, estavam removendo escombros e reforçando os prédios afetados.

Mohammad Yasin, um comerciante local, disse que dezenas de estruturas foram danificadas ou destruídas pelo terremoto.

“Se você entra nas lojas, sente medo de que elas possam desabar a qualquer momento, talvez agora ou em 10 minutos”, afirmou.

O desastre é o mais recente desafio para o governo talibã do Afeganistão, que já enfrenta crises como o terremoto de agosto que matou milhares de pessoas no leste do país.

Além disso, houve queda acentuada na ajuda externa e deportações em massa de refugiados afegãos por países vizinhos.

A ONU prometeu assistência, assim como a Índia, que busca restabelecer relações com o governo talibã no Afeganistão, que ainda está sob sanções de muitas nações ocidentais. A China disse nesta terça-feira que também oferecerá ajuda.

Afeganistão é propenso a terremotos mortais

Cercado por montanhas acidentadas, o Afeganistão é propenso a uma série de desastres naturais, mas seus terremotos são os mais mortais, matando cerca de 560 pessoas em média por ano e causando danos anuais estimados em US$ 80 milhões.

Técnicas de construção rudimentares contribuem para o número de vítimas, e especialistas recomendam que novas estruturas sejam construídas e que os edifícios existentes sejam reforçados para reduzir as chances de colapso.

De toda forma, o terremoto de segunda aconteceu em uma área com um padrão de construção relativamente mais elevado, um terreno comparativamente mais plano e uma população menor, fazendo com que o número de mortos fosse consideravelmente menor do que o do terremoto de agosto, afirmou Yousuf Hammad, porta-voz da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres do Afeganistão.



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