O autor de novelas Benedito Ruy Barbosa, de 95 anos, será velado nesta terça-feira (7), das 15h às 21h, no Funeral Home, na Bela Vista, no Centro de São Paulo. A cerimônia será aberta ao público entre às 15h e às 16h.

O escritor morreu nesta manhã devido a complicações de insuficiência renal. Ele estava internado no HCor (Hospital do Coração), na capital paulista. Benedito lutava contra a condição há três anos e apresentava histórico de internações em decorrência de infecções recorrentes do trato urinário.

Quem foi Benedito

O dramaturgo nasceu no dia 17 de abril de 1931, na cidade de Gália, interior de São Paulo, e foi o mais velho de cinco irmãos. Ele cresceu em uma área de cafezais na cidade vizinha, Vera Cruz, onde teve contato com imigrantes japoneses e italianos. O cenário de infância apareceria com detalhes na novela “O Rei do Gado”, de 1996, ambientada em fazendas de café.

Otávio Barbosa, pai de Benedito Ruy Barbosa, fundou e dirigiu o jornal “A Voz de Vera Cruz”, até a sua morte aos 29 anos, em 1942. A tragédia mudou a vida do autor, que precisou arrumar um emprego ainda menino para ajudar a mãe, Aurora Medeiros Barbosa. Ele conseguiu um trabalho como auxiliar de guarda-livros da firma comercial Antônio Perez.

Benedito Ruy Barbosa decidiu mudar sozinho para São Paulo em busca de melhores oportunidades e começou a estudar à noite e trabalhar durante o dia em um escritório da Antônio Perez.

Mais tarde, conseguiu trazer a família para a capital e morar com eles no bairro do Bom Retiro. Na época, completava a renda trabalhando como vendedor de verduras na feira e faxineiro em um banco.

Primeiros trabalhos

Como tinha conhecimento em contabilidade, conseguiu um emprego no Banco de Boston. Mas preferiu deixar o emprego para atuar em um escritório da comercial Antônio Perez em Maringá, no Paraná, onde teve inspiração para o primeiro romance, “Fogo Frio”.

A história se tornou uma peça no teatro após um convite de Oduvaldo Viana Filho, em 1959. “Fogo frio é porque a geada queima a plantação. Em 1952, aconteceu uma grande geada que dizimou os cafezais de Maringá, Marialva e Mandaguari. Foi um desastre. Eu, primeiro, fiquei extasiado de ver a beleza de todo aquele verde coberto com um lençol branco. Quando o sol esquentou, queimou todo o café. Tiveram que erradicar aqueles cafezais”, contou Ruy Barbosa”, disse ele ao projeto Memória Globo.

Novelas marcaram época

As primeiras novelas de Benedito Ruy Barbosa foram ainda na década de 1960, com “Somos Todos Irmãos” e “O Anjo e o Vagabundo”, de 1966 – ambas exibidas na extinta TV Tupi.

A chegada à TV Globo aconteceu em 1971,quando o dramaturgo escreveu “Meu Pedacinho de Chão”. A inspiração veio da infância que teve nas cidades rurais. Em plena ditadura militar no Brasil, Barbosa acabou sendo vítima da censura do governo: a história sofreu alguns cortes, mas ele conseguiu negociar a manutenção de algumas cenas.

No entanto, o primeiro contrato de sucesso com a Globo aconteceu somente em 1976. Naquele ano, iniciou a carreira televisiva com “O Feijão e o Sonho”, das 18h. Logo em seguida, fez sucesso com “À Sombra dos Laranjais” (1977) e “Cabocla” (1979).

Outros títulos de Benedito Ruy Barbosa foram “Paraíso” (1982), “Voltei pra Você” (1983), “De Quina pra Lua” (1985), “Sinhá Moça” (1986), “Vida Nova” (1988), “O Rei do Gado” (1996) e “Terra Nostra” (1999).

Também teve passagem pela TV Bandeirantes, onde escreveu a novela “Os Imigrantes” (1981). Na TV Globo, sua última obra original foi “Velho Chico”, que se passava na região do rio São Francisco, e que foi ao ar em 2016.

Além da temática rural, Benedito Ruy Barbosa costumava ter especial apreço por histórias de imigrantes, como em “O Rei do Gado” e “Vida Nova”. O autor também prezava pelos romances. “Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor”, disse sobre Matteo e Giuliana, de “Terra Nostra”.

Além de autor de novelas, Benedito Ruy Barbosa trabalhou como repórter e revisor em jornais como “O Estado de S. Paulo” e “Última Hora”. Também teve passagens pela Gazeta Esportiva e atuou como redator publicitário da Radial Propaganda.

Remakes

As novelas de Benedito Ruy Barbosa tiveram um sucesso tão grande que muitas ganharam remakes na TV Globo. A primeira a ser adaptada foi “Cabocla”, em 2004, seguida por “Paraíso”, adaptada novamente em 2009.

Já a novela “Pantanal”, exibida na Rede Manchete em 1990, ganhou um remake em 2022, incluindo atores da versão original, como Marcos Palmeira. A adaptação foi assinada pelo neto Bruno Luperi.

“Renascer”, um clássico do autor, ganhou outra versão em 2024, também pelas mãos de Luperi, e novamente com Palmeira em um dos papéis principais.

*Com informações de Marina Toledo, da CNN Brasil



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