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O calor extremo, provocado pelas mudanças climáticas, ameaça um grande número de jogos programados para a Copa do Mundo no México, no Canadá e nos Estados Unidos.

O alerta foi feito pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), o principal órgão da ONU responsável por coordenar a resposta global às mudanças climáticas.

Segundo a organização, o aumento das temperaturas médias na América do Norte, provocado pela queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás, vai afetar diretamente o torneio dentro e fora de campo.

Estudos realizados pela UNFCCC indicam que um em cada quatro jogos da Copa, incluindo a grande final, pode ser disputado em condições consideradas perigosas para os atletas.

E, segundo os especialistas, não se trata de um “dia quente comum”.

A combinação de calor, umidade, radiação solar e vento, medida por um índice específico de estresse térmico, cria um ambiente capaz de comprometer o desempenho físico e colocar em risco a saúde dos jogadores e até dos torcedores.

Partidas decisivas estão previstas para ocorrer em locais e horários que apresentam o risco disso acontecer. Em alguns casos, as condições podem atingir níveis em que especialistas recomendam até o adiamento dos jogos.

Mas o impacto vai além da segurança imediata das partidas.

O calor extremo já começa a transformar o próprio futebol, segundo a UNFCCC.

Em campo, com o clima muito quente, a tendência é de jogos mais lentos, com menor intensidade, menos pressão e maior desgaste físico.

Em outras palavras: o futebol pode se tornar mais cauteloso e, potencialmente, menos dinâmico.

Os sinais disso já são visíveis, como lembra a ONU. Em competições recentes, houve atrasos em partidas, atletas pedindo substituição por exaustão e até casos de pessoas passando mal devido ao calor.

Estudos mostram que temperaturas mais altas reduzem a capacidade física dos jogadores, afetando diretamente o nível do jogo, diz a entidade.

Durante a Copa, estão previstos intervalos no meio dos jogos para a hidratação de jogadores e árbitros. Mas isso talvez não seja o suficiente para impedir problemas.

Para os torcedores, o risco também existe.

Fora dos estádios, em filas, áreas de concentração e transporte, a exposição ao calor pode durar horas.

Dos 16 estádios da Copa de 2026, apenas três contam com sistemas completos de climatização.

A preocupação, no entanto, não se limita ao torneio. A UNFCCC alerta que o futebol como um todo pode ser impactado.

Projeções indicam que, até 2050, a maioria dos estádios usados na Copa enfrentará condições de calor extremo que podem tornar partidas inviáveis sem adaptações profundas.

E o impacto tende a ser ainda maior fora da elite do esporte. Em campos amadores, onde faltam infraestrutura e recursos, o calor extremo pode limitar a prática do esporte em diversas regiões do mundo.

Por isso, a entidade está estimulando os atletas e organizadores a falar sobre o tema, o que pode ajudar a conscientizar mais pessoas sobre os riscos do aquecimento global.



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