Líderes de bancada e a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados demonstraram incômodo com um discurso que começou a se espalhar nas redes sociais desde a noite desta segunda-feira (10) sobre o Marco da Segurança Pública.
Apoiadores do governo têm compartilhado a tese de que as mudanças no PL Antifacção seriam uma tentativa de impedir a atuação da Polícia Federal em investigações, inclusive sobre emendas parlamentares.
Deputados ouvidos pela CNN veem a “digital” do governo e tratam a questão como uma “arapuca”. Segundo eles, a estratégia teria como objetivo dificultar a votação do texto, pautado para ser analisado já nesta terça-feira (11).
A CNN procurou o Planalto para comentar, mas ainda não teve retorno.
Nesta terça (11), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), garantiu publicamente que nenhuma proposta retirará poderes da PF.
“A Câmara não permitirá, em nenhum momento, que a Polícia Federal perca suas prerrogativas. Essa é uma condição inegociável para nós, tanto que o próprio relator [Guilherme Derrite], desde ontem, por nossa mediação, conversou com o diretor-geral da Polícia Federal [Andrei Rodrigues]”, afirmou Hugo a jornalistas na chegada à Câmara.
A líderes, no entanto, Motta teria reclamado, sob reserva, das críticas que vem recebendo por ter escolhido o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do texto.
O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), chegou a dizer nesta segunda (10) que o governo foi “vítima” de um “furto”.
“O relator Guilherme Derrite, secretário de Segurança de Tarcísio de Freitas e pré-candidato à Presidência, ‘furtou’ o texto do governo e o contaminou politicamente”, afirmou.