A Polícia Científica de Santa Catarina concluiu o laudo pericial do cão comunitário Orelha, exumado para perícia direta após suspeitas de agressão na Praia Brava. Embora o exame visual não tenha identificado fraturas nos ossos, o documento ressalta que o resultado não descarta a ocorrência de um traumatismo cranioencefálico provocado por ação humana.

O exame necroscópico, realizado após a exumação, enfrentou limitações severas devido ao avançado estado de putrefação e esqueletização do animal.

Essa condição impossibilitou os peritos de analisarem tecidos moles e órgãos internos, restringindo o foco apenas à avaliação da estrutura óssea.

Por esse motivo, a causa da morte não pôde ser determinada de forma definitiva.

Perícia

Os peritos examinaram minuciosamente todos os ossos e não constataram lesões que pudessem ser atribuídas diretamente à agressão no esqueleto.

No entanto, a literatura médica indica que impactos contundentes, como chutes ou golpes com objetos rígidos, são capazes de causar lesões cerebrais fatais sem necessariamente romper a caixa craniana.

Boatos descartados e condições pré-existentes

A análise técnica também serviu para desmentir informações falsas que circulavam em redes sociais.

A perícia descartou a hipótese de um prego ter sido cravado na cabeça do animal, uma vez que tal ato deixaria uma fratura circular característica no crânio, o que não foi encontrado.

Além disso, foram identificadas patologias crônicas compatíveis com a idade avançada do cão, como espondilose na coluna e degenerações nas articulações dos joelhos.

Segundo o laudo, essas condições são naturais do envelhecimento e não possuem relação com os traumas recentes investigados pela força-tarefa.

Defesa e andamento das investigações

A defesa dos adolescentes suspeitos sustenta que a ausência de fraturas comprova a inocência dos jovens.

Por outro lado, a investigação da Polícia Civil baseou-se em mais de mil horas de filmagens de 14 equipamentos diferentes, além de depoimentos e dados de geolocalização que colocam o principal suspeito na cena do crime no horário das agressões.

O caso segue sob sigilo, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) avalia os resultados da perícia e das diligências complementares para decidir sobre a continuidade da representação judicial contra os envolvidos.



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