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Durante o primeiro dia de julgamento do “Caso Gritzbach”, no Fórum Criminal de Guarulhos, nesta segunda-feira (22), Simone Novais, viúva do motorista de aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais, prestou depoimento sobre os momentos que antecederam a morte do marido.

Celso foi atingido por disparos de fuzil em novembro de 2024, durante o atentado contra o empresário Vinícius Gritzbach no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

O último contato e o aviso do crime

Simone relatou que o marido, com quem era casada há 21 anos, tentou ligar para ela no momento do crime, mas ela não viu a chamada. Pouco depois, tomou conhecimento de um vídeo gravado por ele na ambulância, no qual Celso dizia: “Levei um tiro, estou na ambulância”.

A viúva relembrou que o filho mais velho do casal, de 22 anos, identificou o pai ao ver imagens do tiroteio pela televisão. Além do jovem, Celso deixou outros dois filhos, de 15 e 5 anos.

Rotina e motivação no dia do atentado

Em sua última conversa com a esposa, Celso comemorou ter atingido a meta financeira do dia, valor suficiente para pagar a prestação do carro da família.

Ele decidiu permanecer no aeroporto para realizar mais algumas corridas, pois o filho queria comer comida japonesa. Suas últimas palavras para os filhos foram: “amo muito vocês”.

De acordo com o depoimento, Celso costumava trabalhar de 12 a 15 horas por dia e considerava o aeroporto um local seguro devido ao contingente policial. No dia do crime, ele estava abatido porque um dos filhos havia perdido o cachorro de estimação.

Impacto familiar e financeiro

Simone Novais destacou que, após a morte de Celso, a família perdeu seu principal provedor financeiro.

Ela relatou dificuldades na criação dos filhos, mencionando que o adolescente de 15 anos ainda enfrenta as fases iniciais do luto e que o marido era o alicerce da casa.

Julgamento do caso Gritzbach

No julgamento desta manhã, são julgados três policiais militares apontados como participantes no crime que vitimou Gritzbach e Celso.

Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues seriam os autores dos disparos que mataram os homens. Já Fernando Genauro da Silva é apontado como o motorista do veículo utilizado no assassinato.

Como funciona o Tribunal do Júri

Durante o julgamento do caso Gritzbach serão ouvidas 21 testemunhas, sendo nove de acusação, uma comum ao MP e ao réu Juan, duas de defesa do réu Juan, duas de defesa dos réus Juan e Denis, duas de defesa do réu Denis e cinco de defesa do réu Fernando.

O passo inicial para o júri é o sorteio dos jurados. A etapa conta com 25 pessoas que podem ser selecionadas. Destes, sete são sorteados para compor o Conselho de Sentença.

Eles fazem a leitura das peças principais do processo para se inteirarem do caso julgado. É o Conselho de Sentença que decide sobre a condenação ou absolvição dos réus. Já ao juiz, cabe apenas presidir os trabalhos, realizar a dosimetria da pena em caso de condenação e redigir a sentença.

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A partir disso, começam as oitivas das testemunhas. Em seguida, os réus são interrogados.

Após o interrogatório, começa a fase dos debates, em que representantes da acusação e da defesa expõem as teses ao Conselho de Sentença.

Em primeiro lugar, é a parte da acusação quem tem a palavra. Caso haja apenas um réu, o tempo de fala é de uma hora e meia. Em caso de dois ou mais réus, o tempo é de duas horas e meia.

Em seguida, é a vez da defesa dos réus se pronunciarem pelo mesmo período de tempo. No entanto, se houver réplica do MP, o tempo é de mais uma hora (se for um réu) ou duas horas (se forem dois ou mais réus) para a acusação e igual tempo para a tréplica da defesa.

Um dos últimos passos é o momento em que o Conselho de Sentença se reúne na sala secreta para votar os quesitos e decidir sobre a condenação ou absolvição dos réus. Por fim, o juiz prepara e faz a leitura da sentença.

Alegação da defesa dos PMs

Pouco antes do júri popular dos policiais militares acusados de participação na morte de Vinicius Gritzbach, a defesa dos réus Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues protocolou um parecer técnico. O documento contesta a perícia e a confiabilidade das provas genéticas obtidas durante o processo.

De acordo com o parecer, obtido pela CNN Brasil, houve falhas procedimentais no laudo pericial realizado no veículo VW Gol — usado pelos executores no dia do crime, sob a ótica do relatório final da Câmara Técnica de Vestígios Biológicos. O carro, encontrado abandonado próximo ao aeroporto, foi preservado e periciado no local.

A defesa dos réus, por meio de nota, afirmou que “o Parecer Técnico comprova, de forma científica e inequívoca, os graves erros cometidos durante a fase de investigação, falhas que resultaram na indevida acusação de pessoas inocentes”.

Por outro lado, o Ministério Público de São Paulo afirmou à CNN Brasil que a “defesa juntou parecer técnico encomendado para questionar, um ano e sete meses após o crime, o resultado imparcial do laudo pericial confeccionado por um órgão oficial, autônomo e independente”. Leia na íntegra: 

“A defesa juntou parecer técnico encomendado para questionar, um ano e sete meses após o crime, o resultado imparcial do laudo pericial confeccionado por um órgão oficial, autônomo e independente. Aliás, nenhum dos três réus, presos há mais de um ano, concordou em oferecer material genético para a realização do referido exame, e mesmo assim o resultado é incontroverso: O DNA de Ruan e Denis foi encontrado no veículo e objetos abandonados.



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