O julgamento pela morte de Henry Borel entrou nesta terça-feira (2) na fase de interrogatório dos réus. Primeira a depor, Monique Medeiros afirmou ao Tribunal do Júri que o filho passou a apresentar mudanças de comportamento nos meses que antecederam sua morte e relatou que o menino “tremia” ao ver o então padrasto, o ex-vereador Dr. Jairinho.
Acusada de homicídio por omissão, tortura e coação no curso do processo, Monique iniciou seu depoimento pedindo que Jairinho fosse retirado do plenário para que pudesse falar. Em seguida, passou a detalhar o relacionamento com o ex-companheiro, a convivência entre ele e Henry e episódios que antecederam o crime.
Relato sobre agressões e alerta da babá
Durante o interrogatório, Monique relembrou um episódio ocorrido em janeiro de 2021, quando recebeu mensagens da babá relatando que Henry estava mancando após permanecer sozinho com Jairinho. Segundo ela, naquele momento não interpretou a situação como uma possível agressão. A ré afirmou que Jairinho teria dito que o menino caiu após uma brincadeira e que acreditou na versão apresentada.
Monique contou que chegou a telefonar para o filho após receber as mensagens e ouviu dele a pergunta: “Mamãe, eu te atrapalho?“. Ela afirmou ter ficado abalada com a situação e procurado Jairinho para questioná-lo sobre o ocorrido.
A acusada também relatou que recebeu um vídeo gravado pela babá mostrando Henry caminhando pelo corredor do apartamento. Apesar dos alertas, disse que não percebeu inicialmente que a criança mancava.
“Em nenhum momento eu percebi meu filho mancando”, declarou durante o depoimento.
Atendimento médico após queda relatada
Monique afirmou que, ainda preocupada com as reclamações de dor no joelho, levou Henry ao hospital no dia seguinte para avaliação médica.
Segundo seu relato, a criança repetiu aos profissionais de saúde que havia caído da cama. Ela afirmou ter solicitado a realização de exames e que os médicos não identificaram lesões naquele atendimento. Após a consulta, Henry foi levado para a casa dos avós maternos. Dias depois, segundo Monique, voltou a ficar com ela e Jairinho durante uma viagem para Mangaratiba.
Mudanças de comportamento
Ao longo do depoimento, Monique descreveu alterações no comportamento do filho que, segundo ela, começaram a chamar atenção após o episódio relatado pela babá.
De acordo com a acusada, Henry passou a ficar mais retraído, chorava com frequência, não queria ir à escola e demonstrava resistência em permanecer tanto em sua residência quanto na casa do pai, Leniel Borel. A ré afirmou ainda que buscou auxílio profissional para tentar compreender o que estava acontecendo.
“Mandei mensagem para a psicóloga, procurei médico, procurei tudo que podia para ajudar meu filho”, declarou.
Segundo Monique, em conversa com uma prima pediatra, relatou que Henry apresentava dificuldades de socialização, episódios de vômito e que “tremia quando via o Jairo”. Ela disse que, naquele momento, familiares e profissionais acreditavam que os comportamentos poderiam estar relacionados ao processo de separação dos pais e às mudanças na rotina da criança.
“Nunca imaginei que pudesse ser o Jairo”
Em outro momento do interrogatório, Monique afirmou que jamais suspeitou que Jairinho pudesse agredir o menino.
A ré declarou que o então companheiro era visto por ela como uma pessoa confiável e que não tinha conhecimento de relatos anteriores de violência que pudessem levantar suspeitas sobre sua conduta.
“A gente nunca achava que poderia ser o Jairo. Ele estava acima de qualquer suspeita“, afirmou ao Conselho de Sentença.
Julgamento entra na reta final
O depoimento de Monique ocorreu no nono dia de julgamento e marca o início da fase de interrogatórios dos acusados. Após sua oitiva, o Tribunal do Júri deverá ouvir Jairinho, apontado pelo Ministério Público como autor das agressões que causaram a morte de Henry.
Concluídos os interrogatórios, o julgamento avançará para os debates entre acusação e defesa. Na sequência, os sete jurados que compõem o Conselho de Sentença decidirão pela condenação ou absolvição dos réus.