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A ascensão de economias asiáticas e de países que apostaram fortemente em tecnologia, inteligência artificial e infraestrutura digital está redesenhando o mapa da competitividade global.

É o que mostra a edição de 2026 do ranking de competitividade do IMD, uma das principais referências mundiais sobre ambiente de negócios, produtividade e capacidade de atração de investimentos.

Pela primeira vez em anos, o topo da lista deixa ainda mais evidente uma tendência que vem ganhando força: a competitividade do século XXI está cada vez mais ligada à capacidade dos países de se posicionarem na nova economia digital.

Singapura assumiu a liderança do ranking, seguida por Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos. Entre os dez primeiros colocados, aparecem ainda Dinamarca, Irlanda, Suécia, Holanda e Estados Unidos.

O grupo reúne economias que se destacam por características distintas, mas que compartilham alguns elementos em comum: forte investimento em tecnologia, elevada capacidade de inovação, segurança jurídica, infraestrutura de ponta e políticas voltadas à atração de capital e talentos.

A nova geografia da competitividade

A comparação com os rankings de cinco anos atrás ajuda a entender a mudança.

Em 2021, o topo da lista era dominado por países europeus, enquanto a presença asiática se concentrava basicamente em Singapura, Hong Kong e Taiwan.

Agora, três das quatro primeiras posições pertencem a economias asiáticas. Se forem considerados os Emirados Árabes Unidos, que vêm se consolidando como um importante polo de tecnologia e inteligência artificial, quatro dos cinco primeiros colocados estão no eixo Ásia-Oriente Médio.

Nos últimos anos, a corrida global por inteligência artificial transformou semicondutores, data centers, energia elétrica e infraestrutura digital em ativos estratégicos. Taiwan tornou-se peça central da indústria mundial de chips. Singapura consolidou-se como um dos principais centros globais de data centers e serviços financeiros.

Hong Kong ampliou sua posição como porta de entrada para investimentos na Ásia. Já os Emirados intensificaram investimentos para atrair empresas de tecnologia e projetos ligados à IA.

Na prática, o ranking sugere que a competitividade global está migrando para países que conseguiram se posicionar nas cadeias de maior valor agregado da economia digital.

O paradoxo brasileiro

Embora ocupe apenas a 65ª posição entre as 70 economias avaliadas pelo IMD, o Brasil reúne alguns dos ativos mais cobiçados da nova economia.

O país conta com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, abundância de recursos hídricos — fator cada vez mais importante para o resfriamento de grandes centros de processamento de dados —, além de reservas relevantes de minerais críticos e terras raras, considerados fundamentais para a indústria tecnológica.

Essas características colocam o país em posição potencialmente favorável para atrair investimentos relacionados à expansão global da inteligência artificial e da infraestrutura digital.

Mas o ranking mostra que recursos naturais, por si só, não garantem competitividade. Questões históricas como baixa produtividade, insegurança regulatória, complexidade tributária, dificuldades logísticas e desafios educacionais continuam limitando a capacidade do país de transformar suas vantagens naturais em ganhos efetivos de produtividade e atração de investimentos.

A oportunidade da IA

Para especialistas, a revolução da inteligência artificial pode representar uma oportunidade semelhante à vivida por países que conseguiram se inserir nas cadeias globais de tecnologia nas últimas décadas.

A diferença é que, desta vez, além de conhecimento e inovação, a nova economia exigirá grandes volumes de energia, infraestrutura física e recursos naturais — áreas em que o Brasil possui vantagens competitivas importantes.

O desafio será transformar esses ativos em uma estratégia capaz de atrair investimentos de longo prazo.

A leitura que emerge do ranking é que a próxima fase da competitividade global não será definida apenas pela disponibilidade de recursos naturais ou pelo tamanho dos mercados consumidores. Ela dependerá cada vez mais da capacidade dos países de combinar tecnologia, energia, capital humano e ambiente de negócios favorável.

O Brasil tem parte relevante dessa matéria-prima. A dúvida é se conseguirá convertê-la em protagonismo na economia da inteligência artificial antes que outros países ocupem esse espaço.



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