A COP30, em Belém, iniciou suas discussões sem incluir na agenda mandatária um tema crucial para o Brasil: o debate sobre medidas unilaterais de comércio, conhecidas como barreiras verdes, que afetam diretamente os setores do agronegócio e industrial brasileiros. A apuração é do Bastidores CNN.
“A Bolívia decidiu tentar incluir uma proposta para discutir medidas unilaterais de comércio, conhecidas como barreiras verdes, que são especialmente adotadas pela União Europeia. Tem um mecanismo que passa a valer a partir de 2026, que regulamenta a venda de produtos livres de desmatamento – isso gera certo incômodo em especial relacionado ao setor do agronegócio”, relata o repórter Pedro Teixeira.
Impactos no comércio internacional
As barreiras verdes podem afetar significativamente as exportações brasileiras. Por exemplo, a soja produzida no Brasil que não atenda aos critérios europeus, mesmo cumprindo a legislação ambiental brasileira, poderá ter sua comercialização impedida na Europa.
Outro mecanismo europeu que preocupa é o ajuste de fronteira de carbono, que pode impactar as exportações de aço e ferro brasileiros caso não cumpram os padrões de emissão de carbono estabelecidos pela União Europeia.
Felipe Espanhol, coordenador de Inteligência Comercial da CNA, ressalta que estas medidas não impactam apenas o Brasil, mas todo o comércio mundial. “São medidas que os países adotam unilateralmente, criando legislações internas que vão afetar meios de produção, estabelecendo regras adicionais ao que ficou definido nos acordos internacionais”, explicou.
Apesar da ausência deste tema na agenda oficial, o início das discussões da COP30 foi celebrado pela organização do evento, já que, diferentemente das últimas quatro edições, não houve atrasos no começo dos debates.