Com o objetivo de reforçar ações preventivas de segurança, a Defesa Civil Estadual realizou duas reuniões nesta quarta e quinta-feira (18) com o Comitê Paranaense de Segurança de Barragens e empresas que gerenciam barragens como atividade principal ou secundária. Entre os participantes do encontro híbrido estavam mais de 30 representantes de geradoras de energia, mineradoras e de armazenamento, tratamento e distribuição de água.
Segundo o coordenador executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Ivan Fernandes, em função do cenário previsto do El Niño e da previsão de volumes de chuva acima da média, o calendário de reuniões regulares foi antecipado para assegurar o reforço às ações preventivas. “Naturalmente nos preocupamos com o impacto desse volume atípico nas barragens do Estado, por isso convocamos as principais operadoras para que haja uma atenção especial diante de um possível cenário extremo”, destaca.
No Paraná há 2.064 barragens com diferentes finalidades de uso, incluindo geração de energia hidrelétrica (UHE e PCH), abastecimento público, irrigação, armazenamento de água, contenção de rejeitos industriais e de mineração, regularização de vazão e uso agropecuário.
“Foram apresentados os resultados de medidas já contextualizadas com o El Niño. Temos certeza de que, em caso de algum evento, as barragens estarão dotadas de total segurança para prevenção de qualquer tipo de acidente”, afirma Fernandes.
SEGURANÇA NO ABASTECIMENTO – A Sanepar controla cinco grandes reservatórios de água na Região Metropolitana de Curitiba: Miringuava, Iraí, Passaúna Piraquara I e Piraquara II. Na reunião foi destacada a rotina anual de avaliações técnicas para garantir a segurança dos empreendimentos, onde são vistoriados os órgãos hidráulicos, eletromecânicos, civis e geotécnicos.
De acordo com Arion Garcia, coordenador de Produção da Sanepar, em 2025 a avaliação técnica contemplou todos os itens, atestando a conformidade estrutural de acordo com o projeto de construção, inclusive do mais antigo empreendimento, a Barragem Piraquara I, inaugurada em 1979.
Mensalmente também são realizadas as leituras dos instrumentos de medição de cada uma das barragens pelas equipes técnicas da empresa, assegurando o perfeito funcionamento e o reparo ou ajuste em caso de necessidade. “O resultado indicou a conformidade, ou seja, todos os reservatórios atendem os requisitos de segurança e têm capacidade para escoar o volume de água previsto no projeto, isso considerando o histórico ocorrência das chuvas mais altas possíveis já identificadas”, detalha.
Reservatórios de água desse porte ajudam a minimizar os efeitos de grandes volumes de chuva. Essas estruturas seguram a água e liberam de forma constante, reduzindo os picos de vazões dos rios e minimizando os efeitos de alagamentos. Além de permitir o armazenamento de água para o abastecimento público em período de escassez hídrica, ajudam a reduzir os impactos de cheias em período chuvoso.
CUIDADO COM A COMUNIDADE – Com capacidade para armazenar 29 bilhões de metros cúbicos de água, o lago da Itaipu Binacional abrange uma área total de 1.350 quilômetros quadrados, envolvendo vários municípios localizados no Paraná e Mato Grosso do Sul. Em momentos de excesso de chuva, para manter a segurança da barragem, pode haver a necessidade de escoar pelo vertedouro.
Durante a reunião, representantes da empresa compartilharam medidas para enfrentar cenários de cheias nos rios que impactam a operação da usina. A Itaipu possui uma equipe que monitora continuamente as condições desses rios e emite, diariamente, um Boletim Hidrológico que pode ser acessado no site da empresa, apresentando o comportamento do nível à jusante da usina com um horizonte de dois dias à frente.
Caso as previsões apontem para uma elevação atípica dos níveis dos rios, é convocada a Comissão Especial de Cheias (CEC), composta por representantes brasileiros e paraguaios, de áreas multidisciplinares da usina, cada uma com suas atribuições e ações muito bem definidas. É o que detalha o coronel Washington Rosa, superintendente de Segurança Empresarial da Itaipu, a área responsável por manter a Defesa Civil informada sobre eventuais cenários de inundação.
“O excesso de chuva pode elevar o nível do Rio Paraná à jusante da usina. Enquanto conseguimos reter, seguramos essa água para retardar, ou até mesmo reduzir as enchentes em alguns bairros de Foz do Iguaçu e municípios do Paraguai ao longo do curso. Quando há necessidade, fazemos ações preventivas para mitigar os impactos desses moradores das chamadas manchas de inundação, que são as cotas que a água deve alcançar em situações de cheias”, detalha.
Fonte: PARANAGOV