O principal delator do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que corre risco de vida e pediu proteção policial do Estado. A medida ainda não foi implementada.

A pedido do próprio delator, a CNN não divulgará seu nome.

Em depoimentos prestados à PF (Polícia Federal) em 2025, ele afirmou que o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, pagava mesadas a Lulinha em troca de acesso a órgãos de saúde do governo Lula para a venda de produtos ligados ao canabidiol. As defesas de Camilo e de Lulinha negam as acusações.

Os advogados do delator apresentaram em fevereiro deste ano uma petição ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. No documento, afirmam que ele foi ouvido pelas autoridades no âmbito das investigações da chamada Operação Sem Desconto e forneceu informações consideradas relevantes para a investigação.

Segundo a defesa, após prestar depoimento, o delator passou a sofrer exposição indevida, agravada por vazamentos de informações sobre suas declarações. Os advogados também relatam indícios de que imagens dele e de familiares, especialmente de sua filha, teriam sido retiradas de redes sociais e compartilhadas com terceiros.

Na petição, a defesa sustenta que a preservação da integridade física e psicológica do delator é necessária não apenas para sua proteção pessoal, mas também para garantir a continuidade das investigações de forma segura.

Afirmam que “sua atuação limitou-se ao cumprimento de dever cívico, ao colaborar com as autoridades mediante o fornecimento de informações relevantes e que viabilizaram providências relevantes pelos órgãos encarregados da investigação em curso”.

A petição sustenta ainda que, nesse contexto, a preservação de sua integridade física e psicológica é necessária para garantir que a elucidação dos fatos ocorra de forma segura e eficaz.

O delator relata que chegou a receber a oferta de inclusão em um programa estatal de proteção a testemunhas, mas avaliou que as condições exigidas seriam excessivamente restritivas. O programa pode incluir medidas como preservação de identidade, mudança de domicílio e restrição de contatos pessoais e profissionais.

Segundo ele, essas medidas implicariam alterações profundas em sua vida pessoal, familiar e profissional.

A defesa argumenta que seria possível adotar medidas menos invasivas, como acompanhamento institucional, reforço pontual de segurança e ampliação de mecanismos de sigilo e proteção de dados pessoais.

O ministro André Mendonça autorizou a adoção de medidas de proteção. No entanto, segundo o próprio delator relatou à CNN, não houve avanço nas tratativas com a Polícia Federal.

Fontes da PF afirmaram que o órgão não negocia formatos específicos de proteção e que a testemunha precisa aderir aos programas previstos em lei.



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