O empate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, apontado na pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (11), levou recados importantes para as duas pré-campanhas.

Os dois times, porém, concordam que os números devem ser analisados com cautela a sete meses da primeira etapa da votação em outubro: nem com desespero entre petistas, nem com entusiasmo entre bolsonaristas.

Aliados do presidente Lula, ouvidos pela CNN sob reserva, admitem que houve um “cochilo” do governo. A avaliação é que o Planalto falhou em criar uma agenda positiva neste início do ano eleitoral e deixou espaço para o adversário ocupar terreno.

E, para piorar, completam esses interlocutores, não foi capaz de reagir à altura a crises que vêm sendo exploradas pela oposição, que tenta associar a gestão petista ao escândalo dos descontos irregulares do INSS e à fraude financeira do Banco Master.

Para petistas, o crescimento de Flávio também se deu por conta de erro do próprio partido, que evitou partir para o ataque ao senador quando ele foi anunciado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como candidato ao Planalto.

A estratégia era segurar as críticas até pelo menos o fim do prazo de desincompatibilização de cargos, no início de abril. O receio era que um eventual desempenho ruim de Flávio nas pesquisas pudesse fazer o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deixar o cargo para se lançar à Presidência.

Na mais recente pesquisa Genial/Quaest, Flávio subiu nas intenções de voto e atingiu 41%, empatando numericamente com Lula. Em fevereiro, o levantamento do instituto trazia o petista à frente do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente aparecia com 43% e o senador, 38%.

Aliados do presidente Lula relataram à CNN que a reação virá em duas frentes: enquanto o governo se encarregará de tentar emplacar uma agenda positiva, o PT deve partir para ataques ao senador, que vem tentando se apresentar como uma versão mais moderada do próprio pai.

Já a pré-campanha de Flávio Bolsonaro avalia que os números da pesquisa indicam que a estratégia adotada pelo senador começa a dar resultado, muito embora reconheçam que, até agora, ele também tem sido beneficiado pelo que consideram erros do próprio presidente Lula.

O ponto mais celebrado pelo entorno do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro foi justamente o fato de ele ter conseguido ampliar as intenções de voto entre eleitores independentes. A percepção é que esse resultado já é efeito de um discurso menos radicalizado do que o do próprio pai.

Outra leitura dentro do grupo político é que a pesquisa Genial/Quaest consolida levantamentos de outros institutos de que o parlamentar rompeu a barreira da inviabilidade eleitoral que parte do eleitorado atribuía à sua candidatura.

Interlocutores também atribuem o desempenho nas pesquisas à presença nas redes sociais e ao aumento da visibilidade nacional de Flávio desde que seu nome passou a ser tratado como o principal representante do bolsonarismo na disputa presidencial.

A pré-campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro agora se prepara para reagir à ação coordenada do PT, que deve tentar desconstruir a imagem que Flávio vem construindo. Além disso, o senador deve começar na próxima semana a viajar pelo país, com agendas previstas no Nordeste e no Sul.



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