A Rússia fez uma série de operações coordenadas com drones, durante mais de 15 meses, para mapear e expor falhas graves no sistema de defesa aérea da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Europa.

A conclusão é de um estudo do prestigioso IISS (International Institute for Strategic Studies), de Londres, que analisou 144 incidentes com drones registrados nos céus da Europa entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026.

Segundo o relatório, os drones russos sobrevoaram impunemente instalações militares muito sensíveis, aeroportos e outras infraestruturas críticas em pelo menos 13 países europeus.

Na maior parte dos casos, não houve sequer uma resposta coordenada dos governos, já que cada um estava preocupado com o seu próprio território.

Em outras palavras, como os governos europeus não associavam os incidentes registrados em seus territórios ao que aconteceu em países vizinhos, acabaram demorando para se dar conta de que a Rússia estava na verdade fazendo um mapeamento detalhado das fragilidades da aliança militar ocidental.

Quase metade dos casos ocorreu em bases militares. Outros 18% dos incidentes envolveram aeroportos civis, alguns dos quais precisaram ser fechados temporariamente em cidades como Bruxelas, Copenhague, Munique, Oslo e Vilnius.

O restante atingiu portos, usinas e instalações industriais.

Incursões em locais estratégicos

Entre os episódios mais graves estão incursões repetidas sobre bases militares que abrigam armas nucleares da Otan, como Kleine-Brogel, na Bélgica, e Volkel, na Holanda.

No Reino Unido, drones foram identificados sobre as instalações da Royal Air Force, incluindo Lakenheath e Mildenhall.

Um dos casos mais sensíveis ocorreu na França, quando um drone foi detectado sobrevoando a base de submarinos nucleares de Île Longue, na Bretanha, um dos locais militares mais estratégicos do continente.

O estudo do IISS (International Institute for Strategic Studies) também aponta que parte desses drones teria sido lançada a partir de navios ligados à Rússia, incluindo embarcações da chamada “frota fantasma”, usadas pelo Kremlin para driblar sanções internacionais.

Um drone russo foi interceptado próximo ao porta-aviões Charles de Gaulle, confirmando a existência desse tipo de operação.

Para os analistas do IISS, o mais preocupante não é apenas a frequência das incursões, mas a ausência de uma reação coletiva da Otan.

Apesar de governos europeus reconhecerem, nos bastidores, a responsabilidade russa, não houve uma resposta coordenada ao longo de mais de um ano.

Despreparo europeu

O relatório identifica uma falha estrutural: os sistemas de defesa aérea europeus foram projetados para ameaças convencionais, como aviões e mísseis, e não para drones pequenos, baratos e difíceis de rastrear.

Além disso, há limitações legais e políticas que dificultam a interceptação desses equipamentos, especialmente quando são lançados a partir de águas internacionais.

Na prática, conclui o estudo, Moscou conseguiu testar os limites da defesa ocidental, mapear vulnerabilidades e operar abaixo do nível que desencadearia uma reação militar mais ampla.

Para o instituto, essa combinação de capacidade técnica e hesitação política criou uma brecha estratégica e deixou claro que, hoje, a Europa não está plenamente preparada para esse tipo de ameaça.



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