O entorno do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aposta que a nova proposta de delação apresentada nesta semana deve avançar nas tratativas com a PF (Polícia Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República).
A expectativa entre pessoas próximas ao ex-banqueiro é que a versão ampliada da oferta de colaboração, com citações a autoridades, atenda aos objetivos dos investigadores e supere as resistências ao fechamento de um acordo.
PF e PGR devem decidir na próxima semana se o material apresentado pela defesa de Vorcaro é suficiente para dar continuidade às negociações. Os novos anexos já estão sendo analisados pelos investigadores.
Caso haja interesse da PF e da PGR em avançar nas tratativas, o ex-banqueiro poderá ser chamado para prestar depoimentos, esclarecer pontos do material entregue e buscar a comprovação das informações fornecidas. Para produzir efeitos e garantir benefícios a Vorcaro, o acordo precisará ser homologado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal).
A primeira tentativa de colaboração foi rejeitada pela PF e criticada pela PGR. A avaliação é que o empresário omitiu nomes e não apresentou informações relevantes para o avanço da investigação, que analisa o conteúdo de oito celulares apreendidos com Vorcaro. Além disso, a percepção era de que o dono do Banco Master tentava utilizar o instrumento como peça de defesa.
Após ter a proposta rejeitada pela PF, Vorcaro trocou de defesa. O criminalista José Luís de Oliveira Lima deixou a equipe do ex-banqueiro. Ele já vinha sendo alvo de críticas por atritos com o ministro André Mendonça e com Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, que também acabou preso.
Com sua saída, o advogado Sérgio Leonardo, que já atuava no caso, passou a conduzir sozinho a estratégia de defesa. A ele é atribuída a reformulação da versão apresentada aos investigadores.
Como mostrou a CNN, o novo documento detalha melhor o envolvimento do ex-banqueiro com autoridades dos Três Poderes e da oposição, incluindo um ministro do Supremo Tribunal Federal, integrantes da cúpula do Congresso, dois ministros do governo Lula e lideranças oposicionistas.
Delegados da equipe de investigação também indicaram que o material entregue por Sérgio Leonardo contém mais nomes, mais informações, mais datas e anexos complementares em relação à versão anterior.