O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, disse à CNN neste sábado (21) que considera “espantador” o cenário que se desenha diante das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Segundo ele, o presidente americano pavimenta mais uma vez um esfacelamento do sistema comercial multilateral, com desdobramentos que vão muito além da esfera comercial.

“É espantador o que está acontecendo. Vai ser cada um por si e ninguém sabe onde isso vai terminar. Os países estão sendo levados a negociar individualmente. Não há homogeneidade de negociação. É triste não só para o comércio, mas também para a ordem internacional”, afirmou Amorim.

Amorim disse manifestar uma “opinião pessoal” a respeito do assunto, acrescentando que só deverá tratar do tema com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando ele retornar da viagem oficial que faz à Ásia. A partir daí, acrescentou, o governo brasileiro vai se sentar para fazer um diagnóstico detalhado e compreender melhor os impactos sobre a economia brasileira.

Ao comentar especificamente a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou parte do tarifaço de Trump, Amorim disse avaliar que isso deve amenizar o que classifica como “arbitrariedade” da política comercial norte-americana. A situação para o Brasil é, de imediato, melhor, lembrou o embaixador.

Mas, na visão de Amorim, ainda é necessário aguardar até que se possa compreender no detalhe quais serão os desdobramentos futuros e como serão aplicadas as novas medidas anunciadas por Trump.

“Para o Brasil, estritamente, não sabemos o que vai acontecer ainda. Existem muitos recursos em questão. No curto prazo, a situação parece ser melhor do que antes. Mas ainda não é possível ter certeza quanto tempo esse cenário vai durar”, emendou. Segundo ele, é preciso olhar com atenção para o setor de máquinas e equipamentos, que é crucial para o País.

Amorim disse considerar de grande ajuda o fato de o presidente Lula ter sido capaz de abrir um diálogo com o governo Trump nos últimos meses, esvaziando a ofensiva bolsonarista que cercou o tarifaço. “Ajuda demais. Toda conversa ajuda”, afirmou. Lula e Trump devem se reunir nos Estados Unidos em março.

A Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegal o tarifaço de Trump, em uma decisão tomada na última terça-feira. A decisão considera que ele não poderia ter se utilizado de uma lei de 1977 para impor tarifas. Neste sábado, o presidente dos Estados Unidos reagiu e declarou, nas redes sociais, que iria impor novas tarifas globais de 15%.



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