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A definição de quem liderará a Presidência chilena entre 2026 e 2030 terá que esperar um mês.

Jeannette Jara, candidata da coalizão de esquerda, e José Antonio Kast, do Partido Republicano, avançarão para o segundo turno após terem sido os candidatos mais bem votados nas eleições de domingo (16).

Com 99,6% das urnas apuradas por volta de 18h desta segunda-feira (17), Jara ficou com 26,9% dos votos e Kast, 23,9%, segundo resultados preliminares do Serviço Eleitoral do Chile (Servel).

No final de outubro, o último levantamento da Plaza Pública Cadem estimava que Jara receberia 30% dos votos e Kast 22%. Neste domingo, ela ficou abaixo dessa marca, enquanto ele a ultrapassou.

Diferente do que as pesquisas de intenção de voto indicaram, a distância entre Jara e Kast foi de apenas 3%.

Após a divulgação dos resuldados, o candidato ultra-direitista recebeu rapidamente o apoio dos candidatos Johannes Kaiser, do Partido Nacional Libertário (13,93%), e Evelyn Matthei, da União Democrática Independente (12,56%), o que pode aumentar a margem de votos no 2º turno.

Kaiser e Matthei, juntos, obtiveram cerca de 50% dos votos no domingo (16).

Nesta eleição, a formação de alianças e o apoio anunciado pelos outros candidatos derrotados podem desempenhar um papel fundamental.

O avanço de Jara e Kast é explicado, por um lado, por fatores como a fragmentação dos votos e, por outro, pelos polos opostos que ambos os candidatos representam, apontam alguns analistas.

Especialistas afirmam que a participação de oito candidatos dificultou a obtenção de votos suficientes para vencer no primeiro turno: mais da metade dos votos.

Agora, Jara e Kast representarão duas opções para o público, situadas em extremos opostos do espectro político.

Um fator que os analistas consideram crucial para o 2º turno é qual dos dois candidatos conseguirá se mostrar mais capaz de abordar as preocupações mais urgentes dos eleitores, em particular, a segurança pública, a imigração e a economia.

Na área da segurança pública, os dados oficiais indicam que, somente entre 2023 e 2024, o número de vítimas de crimes no país cresceu 10,8%, enquanto na economia o crescimento em 2024 foi de apenas 2,6%, percentual insuficiente para gerar os empregos que o Chile necessita e melhorar o padrão de vida da população.

Luz Araceli González, professora de Relações Internacionais do Tecnológico de Monterrey, disse à CNN que o que o Chile está vivenciando é um reflexo de uma tendência global de disputas políticas envolvendo plataformas localizadas em polos opostos.

“O Chile é um exemplo dessa polarização que estamos vendo em todo o mundo, entre a desilusão com o modelo democrático, liberal e de mercado, que não resolveu nada, e a chegada de governos mais à esquerda, com promessas, até mesmo com líderes um tanto messiânicos que também não conseguiram resolver nada”, argumentou ele.



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