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A adolescente de 17 anos, vítima de estupro coletivo em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio, fez o reconhecimento dos suspeitos e apontou, no 12º Departamento de Delegacia do Rio de Janeiro, qual foram as condutas individuais dos cinco jovens que teriam cometido o crime contra ela.

O caso aconteceu em 31 de janeiro de 2026. A polícia acredita que a menina foi atraída por meio de uma “emboscada premeditada” cometida pelo seu ex-namorado, também menor, que queria que ela mantivesse relações sexuais com ele e com seus quatro amigos.

Em entrevista à CNN Brasil, nesta terça-feira (3), o delegado Ângelo Lages, responsável pelo caso, afirmou que o crime foi tão “chocante” que chamou a atenção dos investigadores pelo relato da vítima. Segundo ele, ela chegou à delegacia, no mesmo dia do ocorrido, com lesões aparentes e sangramento na região íntima, além de relatar abusos sexuais e psicológicos que teria sofrido.

O perito disse que todas as lesões dela eram compatíveis com o relato dela. A gente tinha o laudo do IML, o depoimento dela, nós captamos imagens também, a entrada e saída deles. Depois ela foi chamada aqui nós fizemos o auto de reconhecimento, ela reconheceu e individualizou a conduta de cada um deles. A partir disso, conseguimos concluir a investigação, mandar para o Ministério Público e expedir os mandados de prisão”

Delegado Ângelo Lages, do 12 DP (Copacabana) do Rio de Janeiro

O delegado explicou ainda que tentou realizar a prisão em flagrante dos envolvidos, com os agentes retornando à residência no mesmo dia do ocorrido. Entretanto, nenhum dos jovens estava presente na casa.

Após a conclusão da investigação — que, segundo ele, por já possuir elementos suficientes, foi finalizada em apenas uma semana — e a expedição do mandado de prisão, na sexta-feira (26), os agentes realizaram uma nova operação para localizá-los, mas os suspeitos não foram encontrados.

Somente após a divulgação de um cartaz com os jovens considerados foragidos e a repercussão do caso, Mattheus Veríssimo Zoel Martins, de 19 anos, foi preso. Já João Gabriel Xavier Berthô, da mesma idade, se entregou na 12ª DP do Leblon.

“Orientado pelo seu advogado, ele [Mattheus] preferiu exercer o direito inconstitucional de permanecer calado, o advogado orientou ele a não prestar nenhum tipo de declaração e disse que somente em juízo ele irá se pronunciar”, explicou Ângelo.

Conforme os delegado, a expectativa das autoridades policiais é que, agora, os outros suspeitos também apresentem: “Existe a expectativa que eles se apresentem. A gente pretende nas próximas horas, ou efetuar a prisão dos demais, ou que eles se entreguem aqui.

Justiça aceitou a denúncia e investigados agora são réus

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra quatro adultos investigados pelo estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana.

Com a decisão, Bruno Felipe dos Santos Allegretti (18), Vitor Hugo Oliveira Simonin (18), Mattheus Verissimo Zoel Martins (19) e João Gabriel Xavier Bertho (19) passam à condição de réus no processo criminal.

A Justiça também expediu mandados de prisão preventiva contra o grupo pela 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes.

O outro adolescente, apontado como ex-namorado da vítima, responderá de forma diferente, por ser menor de idade, conforme a lei prevista pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Possibilidade de novos casos de estupro envolvendo os jovens

A Polícia Civil investiga dois outros casos de estupro envolvendo adolescentes na capital fluminense. As ocorréncias estão sob apuração da 12ª DP (Copacabana) e foram confirmadas com exclusividade à CNN Brasil.

De acordo com a corporação, uma das vítimas já identificou como um dos envolvidos dois investigados no caso de estupro coletivo ocorrido em Copacabana, na Zona Sul do Rio.

Um dos casos teria ocorrido em agosto de 2023. A vítima tinha 16 anos à época dos fatos.

Segundo a apuração, participaram o mesmo adolescente citado na investigação de Copacabana e Matheus Veríssimo Zoel Martins, que na época também era menor de idade.

Modus operandi

O delegado Ângelo Lages informou também que, segundo a investigação, o modus operandi seria semelhante ao do caso ocorrido em Copacabana.

De acordo com ele, a vítima também teria sido atraída para um apartamento pelo mesmo adolescente investigado.

“Ela foi atraída até um apartamento pelo mesmo adolescente infrator. Ao chegar ao local, havia outras duas pessoas. No interior do imóvel, ela também foi vítima de crime sexual. Dois dos envolvidos estariam entre os que hoje são considerados foragidos, e há pelo menos mais um participante que ainda está sendo devidamente qualificado”, afirmou o delegado.

*Sob supervisão de AR.



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