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Apesar de parecer expressivo, o volume de etanol exportado pelo Brasil em 2025, cerca de 1,7 bilhão de litros, mostra um cenário de retração. O número indica queda de 9% em relação a 2024, quando as vendas externas somaram 2 bilhões de litros. A redução, no entanto, não está ligada à ausência de compradores, mas sim à falta de oferta exportável, resultado da forte demanda interna e de estoques historicamente baixos. Em valores, as exportações brasileiras de etanol somaram US$ 976,6 milhões em 2025, queda de 8% frente aos US$ 1,13 bilhão registrados em 2024. 

Tradicionalmente, o mercado doméstico absorve a maior parte da produção nacional de etanol. Em 2025, o consumo interno alcançou cerca de 19 bilhões de litros de etanol hidratado (ofertado nas bombas dos postos de combustíveis) e 13 bilhões de litros de anidro (adicionado à gasolina). O aumento da mistura mandatória do etanol anidro na gasolina, de 27% para 30%, em vigor desde 1 de agosto de 2025, deve contribuir para o aumento da demanda interna, uma vez que especialistas estimam que a nova mistura vai consumir 1 bilhão de litros a mais por ano. 

Além disso, os estoques de etanol nas usinas do Centro-Sul do país registraram queda significativa na safra 2025/2026. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o volume armazenado em 1º de janeiro somava 7,07 bilhões de litros, representando uma redução de 19,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Com a produção nacional de etanol também menor — cerca de 5% —  e um acumulado no período 30,84 bilhões de litros, houve queda na produção de hidratado, de 8%, para 19 bilhões de litros, enquanto o anidro se manteve relativamente estável em 11,7 bilhões de litros. Esse conjunto de fatores reduziu significativamente o excedente disponível para exportação. 

Comércio internacional

No comércio internacional, a Coreia do Sul mantém a liderança absoluta entre os compradores do etanol brasileiro. Em 2025, o país importou 772 milhões de litros, muito à frente dos Estados Unidos, que adquiriram 255 milhões de litros, e da Holanda, com 212 milhões de litros. “Há cerca de 15 anos, os sul-coreanos são os principais clientes do Brasil, impulsionados por uma política energética mais aberta aos biocombustíveis e pela preferência por produtos com menor pegada de carbono, característica do etanol de cana-de-açúcar”, explica Maurício Muruci, analista em etanol, açúcar e biodiesel da Safras & Mercado. 

A tendência para 2026, segundo ele, é de mudança no ranking. “A Holanda deve assumir a segunda posição, favorecida por questões tributárias que podem reduzir ainda mais a participação dos Estados Unidos”, diz. Além disso, o governo norte-americano estuda ampliar o mandato de uso de biocombustíveis produzidos internamente, o que deve restringir importações”. 

Embora nos últimos anos, o etanol de milho venha ganhando espaço no mercado interno, ele ainda não é produzido em volumes que possibilitem aumentar a oferta interna de forma significativa. No acumulado da safra 2025/2026, o milho respondeu por 18% da oferta nacional de biocombustíveis, tanto de anidro quanto de hidratado, enquanto a cana-de-açúcar permaneceu dominante, com cerca de 81%. 

Em volumes absolutos, o Brasil produziu aproximadamente 2,6 bilhões de litros de etanol anidro de milho, contra 11,7 bilhões de litros provenientes da cana. No hidratado, foram 4,2 bilhões de litros de milho e cerca de 19 bilhões de litros de cana.

Diante deste cenário, para 2026 a expectativa é de exportações ainda limitadas, com leve recuperação para cerca de 1,75 bilhão de litros, de acordo com a Safras & Mercado. A projeção reflete a estratégia das usinas, que devem seguir focadas no mercado interno, onde a escala é maior e os preços são mais atrativos. 

Açúcar garante caixa às usinas 

Na safra 2025/2026, o bom desempenho do açúcar continuou sustentando o fluxo de caixa das usinas. Neste segmento, as exportações são mais relevantes que as vendas no mercado interno. Anualmente são embarcadas entre 30 e 33 milhões de toneladas, frente a demanda interna de 9,5 milhões de toneladas. 

Com a perspectiva de demanda mais aquecida pelo etanol, o mix produtivo, tradicionalmente próximo de 52% etanol e 48% açúcar, deve mudar levemente na próxima safra, para 53% etanol e 47% açúcar. Segundo estimativas, as usinas podem lucrar 25% a 30% mais vendendo etanol internamente do que produzindo açúcar para exportação. 

A Safras & Mercado estima que a moagem de cana-de-açúcar deve alcançar 610 milhões de toneladas na safra 2026/27, em comparação com os 605 milhões na safra 2025/26. Já os preços médios do açúcar devem recuar, da média, de 17 a 19 centavos de dólar por libra-peso em 2025, para uma média de 13 a 14 centavos de dólar por libra-peso ao longo de 2026. 

CNN Brasil inicia no próximo mês a cobertura setorizada do agronegócio brasileiro. A partir do dia 9 de fevereiro, a emissora oficializa a estreia do CNN Agro, novo núcleo editorial dedicado ao agronegócio, que terá uma presença multiplataforma, ocupando espaços de destaque tanto no canal principal da CNN Brasil quanto no CNN Money e nas plataformas digitais. 



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