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O tratado New Start, único acordo que limita os arsenais nucleares dos Estados Unidos e da Rússia, expira nesta quinta-feira (5), o que pode representar um novo capítulo de incertezas na geopolítica mundial.

De acordo com Diego Pavão, editor de Internacional do CNN Brasil, ao Live CNN, o fim deste acordo não afeta apenas as duas nações signatárias, mas também outros países com inclinações ou pretensões nucleares. “Se as duas maiores potências nucleares do mundo, Estados Unidos e Rússia, que juntas detêm 90% do arsenal nuclear hoje, não vão mais seguir limites, alguns países podem se questionar e falar: por que nós, então, precisamos seguir algum limite?”, explicou.

Países beneficiados com o fim do acordo

Entre as nações que mais se beneficiam com o término do tratado, está a China. Quando o acordo foi firmado em 2010, ainda existia uma lógica de mundo bipolar entre EUA e Rússia, e a China possuía um arsenal considerado pequeno. Atualmente, estima-se que o país asiático tenha cerca de 600 ogivas nucleares já desenvolvidas, com projeções do Pentágono indicando que esse número pode chegar a mil até 2030.

O Irã é outro país que pode se sentir menos pressionado a limitar suas capacidades nucleares. A comunidade internacional permanece dividida sobre se o país já possui uma bomba nuclear, mas há consenso de que o Irã já enriqueceu urânio o suficiente e teria os meios para desenvolver armas nucleares. Com o fim do New Start, o país pode argumentar que não precisa mais se submeter a inspeções e limitações, enfraquecendo os esforços diplomáticos atuais dos Estados Unidos para levar o Irã de volta à mesa de negociações.

A Coreia do Norte, que já possui ogivas nucleares e frequentemente realiza testes de mísseis balísticos que perturbam a segurança regional, especialmente do Japão e da Coreia do Sul, também se beneficia deste cenário. “A Coreia do Norte, quando vê outros países como China e Irã expandindo seu arsenal, se sente menos isolada e menos pressionada a não fazer isso”, afirmou o editor.

As inspeções de arsenais nucleares, anteriormente realizadas sob os termos do tratado, eram conduzidas pela Agência Internacional de Energia Atômica, órgão ligado à ONU. Esses inspetores verificavam se os países estavam cumprindo suas obrigações previstas nos acordos. Com o fim do New Start, esse mecanismo de verificação e controle deixa de existir entre as duas maiores potências nucleares do mundo, criando um precedente preocupante para a segurança global.



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