As procuradorias do Estado de São Paulo e da Fazenda Nacional protocolaram, nesta quarta-feira (1º), um pedido conjunto de falência das empresas que compõem o Grupo Dolly. A ação foi encaminhada à segunda vara de falências e recuperações judiciais de São Paulo.

Segundo as procuradorias, a empresa teria utilizado o processo de recuperação judicial para ganhar tempo sem regularizar seus débitos tributários, sendo que todas as tentativas de cobrança teriam sido frustradas.

O passivo tributário do grupo é estimado em R$ 15,746 bilhões em dívida ativa. A petição também aponta supostas manipulações contábeis, transferência de patrimônio e confusão patrimonial entre as empresas do grupo.

Próximos passos do processo

O pedido de falência agora está nas mãos do juiz, que pode ou não aceitá-lo. Caso seja aceito, o Grupo Dolly ainda pode recorrer, devolvendo a decisão ao magistrado.

Se a falência for decretada, os administradores da companhia serão afastados e os ativos vendidos para o pagamento das dívidas. O CNN Money tentou contato com a empresa e mantém o espaço aberto para posicionamento.

Recuperação judicial usada de forma inadequada, segundo especialista

Em entrevista ao CNN Money, Jessica Costa avaliou que a recuperação judicial é uma ferramenta fundamental para preservar negócios e empregos, mas que o problema surge quando ela deixa de ser um mecanismo de reorganização e passa a ser utilizada para postergar uma solução definitiva.

“É isso que está protocolado no pedido de falência da União e do Estado de São Paulo com o Grupo Dolly”, afirmou.

Costa destacou ainda que o caso da Dolly evidencia que uma marca reconhecida não substitui eficiência, solidez na gestão empresarial nem governança.

“Uma marca tão forte como a Dolly não substitui eficiência, não substitui solidez na gestão empresarial, não substitui governança”, disse a especialista.

Mudanças no mercado de bebidas

A especialista também apontou que o mercado de bebidas passa por transformações significativas no comportamento do consumidor.

Segundo ela, as empresas do setor de refrigerantes e produtos com mais açúcar passaram a concorrer com energéticos, águas saborizadas, bebidas funcionais, chás, isotônicos e sucos prontos.

“Tem uma mudança no consumo e as empresas precisam se adaptar rapidamente a essa mudança, cuidando também da inovação”, afirmou Costa.

A especialista lembrou que o processo de recuperação judicial da Dolly teve início em 2018, período em que a taxa Selic estava em torno de 6,5%, ante 14,25% no momento atual.

Para ela, a empresa enfrentou simultaneamente mudanças no consumo, novos concorrentes e um cenário econômico mais adverso, sem reunir os pilares necessários — como inovação, capacidade logística, distribuição e capital de giro — para reverter o quadro.

“A fortaleza da marca Dolly, que continua existindo, por si só, não é suficiente para levar a companhia para frente”, concluiu.

Futuro dos ativos da marca

Sobre o futuro da marca, Costa avaliou que, em um primeiro momento, o consumidor não deve ser diretamente afetado, uma vez que a marca continuaria em produção e distribuição.

Ela mencionou ainda a possibilidade de venda do ativo da marca, e indicou que o cenário mais provável seria o interesse de algum fabricante regional em adquirir a operação.

“O que eu acho mais provável é que a gente tenha algum fabricante regional com disposição e com apetite de entrar nesse mercado”, disse a especialista.



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