O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, tem viagem prevista para este domingo (28) a Buenos Aires, onde participará de uma conferência promovida pela Fundação Aliados de Israel. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro quer aproveitar a agenda para discutir com o presidente da Argentina, Javier Milei, o avanço da direita na América do Sul.
Principal oponente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio quer explorar com Milei a “onda azul” que elegeu o empresário Abelardo de la Espriella presidente da Colômbia e Keijo Fujimori presidente do Peru.
Os dois políticos de direita foram eleitos em disputas acirradas e substituirão presidentes de esquerda: o colombiano Gustavo Petro e José María Balcázar, do partido Peru Libre. Flávio tenta usar os dois exemplos para mobilizar, sobretudo, a militância bolsonarista.
Com a vitória na Colômbia e no Peru, a direita passou a governar o Equador, com Daniel Noboa; Bolívia, com Rodrigo Paz; Paraguai, com Santiago Peña; Chile, com José Antonio Kast; e Argentina, com Milei.
De acordo com aliados, Flávio, além de tratar do avanço da direita na região, pretende comparar a trajetória de Milei na Argentina com o atual governo Lula.
O pré-candidato do PL também deverá abordar o chamado “Escudo das Américas”, lançado pelo presidente americano Donald Trump em março, na Flórida, com a proposta de criar uma coalizão militar com 17 países latino-americanos para combater o narcotráfico, o crime organizado e a imigração irregular.
Flávio aposta no discurso de linha dura no combate ao crime organizado para vencer Lula. A segurança pública é um dos pontos mais sensíveis da gestão petista.
Após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro se reunir com Trump na Casa Branca, os Estados Unidos classificaram o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, em maio.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra que 59% dos brasileiros apoiam a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. Porém, 74% afirmaram ser contra uma ação dos EUA em território brasileiro sem avisar o governo.
Durante participação no evento conservador organizado pela Fundação Aliados de Israel, Flávio também deve explorar a relação de Lula com Israel e voltar a acusar o petista de antissemitismo.