O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta terça-feira (31), o habeas corpus ao delegado de polícia Fábio Baena Martin, investigado pelos crimes de organização criminosa, associação criminosa e corrupção passiva no caso Gritzbach. 

O delegado está preso desde o dia 17 de dezembro de 2024.  

O ministro, nesta terça (31), revogou a prisão preventiva e substituiu a custódia por medidas cautelares. 

Mesmo com a decisão do ministro, a acusação sustenta a necessidade de manutenção da prisão preventiva, diante dos registros de comunicações com outros investigados e com Antônio Vinicius Lopes Gritzbach. 

Assim, após a análise, a única informação para a manutenção da prisão preventiva do delegado seria a “superveniência de colaboração premiada”, considerada insuficiente para mantê-lo preso.

“Em conclusão, ressalto que a presente decisão não implica na absolvição do paciente, mas sim na autorização para que ele responda ao processo em liberdade”, afirma o documento do STF.

Em substituição à prisão, ele deverá cumprir algumas medidas cautelares: 

  • Manutenção da suspensão do exercício da função pública; 
  • Proibição de manter contato com corréus e testemunhas dos fatos apurados; 
  • Proibição de acesso a repartições policiais, salvo para atender a obrigações judiciais e convocações da Corregedoria; 
  • Monitoramento eletrônico; 
  • Pagamento de fiança, no prazo de cinco dias, no valor de R$ 100 mil. 

A defesa de Fábio Baena Martin afirmou que recebeu a decisão com alívio. “A defesa recebe com alívio a decisão proferida pela Suprema Corte, que restabeleceu sua liberdade, elidindo a coação ilegal de que vinha sendo vítima. Reitera-se que é inadmissível, no Brasil, banalizar o direito à liberdade, com a decretação e manutenção de prisões automáticas, vedadas por nossa legislação, sem contemporaneidade e, mais grave, por fatos que já haviam sido investigados e arquivados pela Justiça, por recomendação do próprio Ministério Público”, declarou. 

Quem é Fábio Baena? 

O delegado Fábio Baena foi preso em uma operação contra policiais suspeitos de atuar para o Primeiro Comando da Capital (PCC), em dezembro de 2024. 

Baena foi citado pelo empresário Vinícius Gritzbach em delação premiada ao Ministério Público. Gritzbach foi assassinado no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos, no dia 8 de novembro. 

A Corregedoria da Polícia Civil já havia afastado o delegado das atividades operacionais da corporação após ele ser mencionado na delação. 

Baena era responsável por investigar crimes e suspeitos ligados ao Primeiro Comando da Capital. Ele recebe um salário bruto mensal superior a R$ 27 mil, segundo o Portal da Transparência do Governo de São Paulo.



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