O PL Antifacção, agora rebatizado de Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, chega ao plenário nesta quarta-feira (12) deixando um rastro de tensão entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

Após críticas públicas à escolha do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) como relator, Gleisi, segundo aliados, quer acertar os ponteiros com Motta e discutir a relação.

A ministra já pediu uma reunião com o presidente da Câmara para tratar da condução da pauta. Motta, porém, ainda não respondeu, conforme confirmaram à CNN interlocutores de ambos.

Por parte de Gleisi, a irritação é que Motta insistiu em entregar a relatoria de um dos projetos prioritários do governo às mãos da oposição, mesmo alertado sobre a contrariedade do Palácio do Planalto. Derrite é secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo.

Já Motta ainda não digeriu os ataques em coro feitos por integrantes do governo e parlamentares da esquerda. Para o presidente da Câmara, o Palácio do Planalto escolheu tratá-lo como inimigo, quando, na versão dele, estava atuando para encontrar um consenso suprapartidário em torno da segurança pública.

O incômodo de Motta já era latente diante das declarações de governistas. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), disse que a entrega da relatoria a Derrite era um “furto de autoria” e chamou a decisão de “desrespeito” com o presidente Lula.

O mal-estar, porém, escalou quando, nesta terça-feira (11), o governo Lula publicou nas redes sociais um vídeo criticando o relatório de Derrite, que previa, na primeira versão, que a Polícia Federal só pudesse agir contra facções criminosas quando fosse provocada por governadores.

“A quem interessa impedir a Polícia Federal de agir? A quem interessa dificultar o combate às facções? O PL Antifacção não pode virar PL Anti-investigação”, diz o vídeo.

A repercussão da publicação intensificou as críticas ao presidente da Câmara nas redes sociais. Hugo Motta apostava justamente na pauta da segurança pública para tentar reverter o desgaste recente causado pela aprovação da PEC da Blindagem, pela urgência do PL da Anistia e pela derrubada da MP com alternativas ao aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Em todos os casos, governo e esquerda organizaram críticas nas redes com o slogan “Congresso Inimigo do Povo”.

No embate atual, o Palácio do Planalto considerou ter saído vitorioso após Derrite recuar e mudar o seu relatório. Sob pressão, o parlamentar manteve as prerrogativas da Polícia Federal e desistiu de equiparar crimes cometidos por organizações criminosas ao terrorismo, como previa a proposta original.



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