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O memorando de entendimento que deverá ser firmado na sexta-feira (19) é quase uma unanimidade ao contrário nos meios políticos dos Estados Unidos e de Israel, os dois países que lançaram a guerra contra o Irã em 28 de fevereiro.

Republicanos favoráveis a uma posição mais dura contra o Irã se preocupam com o risco de o acordo não entregar nenhum dos objetivos da guerra: mudança de regime, fim do programa nuclear, desmantelamento do arsenal de mísseis balísticos e o patrocínio do Irã ao Hezbollah, Houthis e Hamas.

Essa é também a preocupação do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e da oposição israelense. Da mesma forma como a guerra havia aumentado as chances de Netanyahu vencer as eleições de outubro, a forma como ela foi encerrada enfraquece o primeiro-ministro.

Líderes de oposição acusam Netanyahu de ceder soberania ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao aceitar pressões para encerrar os ataques ao Hezbollah no Líbano.

Essas críticas e os instintos políticos de Netanyahu, cuja carreira se baseia na garantia de segurança a Israel, sugerem que Trump terá de exercer uma pressão muito forte sobre o primeiro-ministro israelense para evitar que os ataques ao Líbano levem o Irã a abandonar o acordo, principalmente se o Hezbollah continuar atacando alvos israelenses.

Já a oposição democrata americana vai bater fortemente na tecla de que, depois de lançar duas guerras contra o Irã, incluindo os bombardeios a instalações nucleares do ano passado, Trump entrega um acordo pior do que aquele que rompeu em 2018, que havia sido alcançado por seu antecessor, Barack Obama, em 2015.

Aquele primeiro acordo impôs as inspeções mais invasivas da história da Agência Internacional de Energia Atômica, que garantiram o cumprimento pelo Irã do limite de 300 kg de urânio enriquecido a 3,67%, para geração de energia elétrica.

Só depois que Trump rompeu o acordo em 2018, e as empresas europeias aderiram às sanções americanas, por medo das penalidades impostas pelos EUA, foi que o Irã começou a enriquecer o urânio acima desse nível, chegando a 442 kg com nível de pureza de 60% ou mais.

Esse avanço do programa nuclear, somado ao inédito fechamento do Estreito de Ormuz, colocou o Irã numa posição de força muito maior nas atuais negociações do que mais de uma década atrás.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse à CNN que o Irã terá incentivos econômicos para não levar adiante um programa nuclear com fins militares, acenando com oportunidades de negócios para o país. Se insistir em tentar obter a bomba nuclear, por outro lado, não terá recursos para fazer isso, por causa da retomada das sanções americanas, argumentou Vance.

Os EUA aceitaram a liberação de US$ 24 bilhões, em duas etapas, de depósitos iranianos congelados em bancos do Golfo Pérsico, em troca apenas da reabertura do estreito. Todo o resto ainda será negociado.



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