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Integrantes do governo Lula admitem ver sinais de inflexibilidade dos Estados Unidos na negociação sobre a proposta do USTR (Escritório do Representante Comercial) de tarifas de 25% aos produtos brasileiros. A decisão sobre a aplicação das tarifas será tomada até o dia 15 de julho.

Antes, no dia 6 de julho, o USTR realizará uma audiência pública, em Washington, para discutir a disputa comercial entre os dois países.

Enquanto o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Planalto, se inscreveu para falar sobre o tema por cinco minutos, o governo Lula insiste na negociação pelos canais oficiais.

A orientação da gestão petista é manter o foco no diálogo técnico e na política comercial, apesar do evidente risco de contaminação eleitoral. Nesta terça-feira (23), Trump compartilhou um artigo que cita a disputa no Brasil como o próximo “grande teste” para o “ressurgimento conservador” na América Latina.

Integrantes do governo apontam que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro quer usar a audiência do USTR como um palanque eleitoral para tentar conter o desgaste por ter celebrado, em julho do ano passado, a sobretaxa anunciada pelo presidente Donald Trump. Na ocasião, o senador disse que “patriotas de verdade” deveriam agradecer ao republicano pela medida.

No documento de inscrição para participar da audiência, Flávio antecipou ao USTR que se oporá à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e a qualquer medida contra o Pix, além de defender uma solução negociada.

Já o governo brasileiro não participará da audiência, visto que avalia que essa etapa da investigação é voltada ao setor privado e à sociedade civil. De acordo com auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as negociações para evitar a aplicação das tarifas continuam sendo feitas diretamente nas conversas entre os dois governos, como ocorre desde o início da crise comercial.

Apesar das tratativas, interlocutores do governo admitem ter reduzido as expectativas de reversão da medida. A avaliação é que as recomendações apresentadas pelo USTR repetem os argumentos da investigação aberta contra o Brasil, apesar das informações e esclarecimentos enviados ao governo americano.

Nos bastidores, auxiliares do presidente apontam os questionamentos ao Pix e aos números do desmatamento como exemplos da resistência dos Estados Unidos. Porém, a ordem é seguir insistindo nas tratativas técnicas até a decisão final, apesar do receio de que fatores políticos contaminem a decisão.

À CNN, o empresário e jornalista Paulo Figueiredo disse que, em seu discurso, Flávio afirmará que o presidente Lula “está cavando as tarifas com objetivo eleitoral e que elas não cumprem os objetivos”. Além disso, segundo Figueiredo, o senador defenderá que “há outras medidas que podem ser tomadas, mais efetivas, que não punem a sociedade, mas os autores”.

No documento pedindo para falar na audiência, Flávio ainda sinaliza que um eventual “governo brasileiro reformista” eleito teria posições mais próximas às defendidas por Washington do que a atual gestão petista.

Segundo o documento, haveria espaço para negociações de “boa fé” em áreas como comércio digital, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.



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