A comitiva brasileira que esteve nesta semana nos Estados Unidos retornou sem um sinal claro do governo americano sobre o retorno do tarifaço contra o Brasil.
A delegação foi liderada pelo secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox; de Energia e Meio Ambiente, embaixador Maurício Lyrio; pela secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Tatiana Prazeres; e contou também com integrantes dos Ministérios da Agricultura e da Justiça.
Eles estiveram no USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), em Washington, para defender a posição brasileira diante da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Fontes relataram que as reuniões foram boas, mas inconclusivas. A leitura é de que o presidente dos EUA, Donald Trump, precisa querer e dar o comando, e isso ainda não está claro, porque ele está focado na guerra no Oriente Médio.
A percepção ainda é de que todas as áreas em que Trump está envolvido estão paradas em razão do conflito. Também há a leitura de que os encontros desta semana foram pró-forma, uma obrigação processual que precisa ser cumprida pelo USTR antes de anunciar a retomada de eventuais sanções.
Os argumentos foram repetidos de lado a lado, mas, se os EUA quiserem, dirão que o resultado das tratativas não foi satisfatório e anunciarão o retorno do tarifaço.
A retomada dessa possibilidade se insere em um contexto no qual a Suprema Corte considerou ilegais as tarifas impostas por Trump com base na IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional).
O governo Trump, então, tratou de buscar outras saídas para retomar as tarifas, e a encontrada foi a investigação 301. Casos de outros 59 países também estão sendo analisados.
Os americanos apontam que o Brasil adota práticas comerciais desleais em diversos segmentos, como PIX, etanol, fragilidade na proteção de propriedade intelectual e avanço do desmatamento.
O governo, porém, considerou ruim o sinal dado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que disse, na terça-feira (14), que as tarifas do presidente Donald Trump podem ser restabelecidas.
“Tivemos um revés na Suprema Corte em relação à política tarifária, mas vamos implementar ou conduzir estudos com base na Seção 301; então, as tarifas podem voltar a vigorar no nível anterior no começo de julho”, disse Bessent em Washington.