O senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), mobilizou 895 mil publicações nas redes sociais entre 24 e 29 de maio, e 52% das impressões geradas em torno do nome dele nesse período estavam vinculadas à viagem aos Estados Unidos e ao encontro com o presidente Donald Trump, conforme monitoramento feito pela Datrix e obtido pela CNN.
Ao todo, o nome do senador gerou 18,7 bilhões de impressões e 2,7 bilhões de interações no ambiente digital na semana. O recorte combinando o nome de Flávio a termos como Trump, Marco Rubio (secretário de Estado), EUA e Casa Branca respondeu por 291,7 mil publicações.
Embora corresponda a 32,6% do volume total de postagens, esses conteúdos responderam por mais da metade do alcance, o que indica que a agenda externa foi o eixo de maior repercussão da semana.
O pico ocorreu no dia 26 de maio, data do encontro entre Flávio e Trump no Salão Oval, quando 97,5 mil publicações trataram diretamente da viagem em 24 horas — a título de comparação, no domingo anterior o monitoramento detectou menos de 5 mil postagens sobre o senador.
Facções classificadas como terroristas
A conversação se sustentou nos dias seguintes com dois desdobramentos: o encontro com Rubio, em 27 de maio, e o anúncio do Departamento de Estado, no dia seguinte, de que as facções criminosas brasileiras PCC e Comando Vermelho passam a ser tratadas pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras — pauta levada por Flávio ao encontro, com vigência prevista para 5 de junho.
O X (ex-Twitter) concentrou 91,2% das publicações do recorte, seguido por Facebook (4,8%) e portais jornalísticos (2,3%). A participação da mídia tradicional mais que dobrou em relação ao padrão típico de temas político-eleitorais, o que, segundo a Datrix, indica que a viagem teve forte ancoragem editorial — e não apenas repercussão espontânea.
A análise semântica identificou três eixos dominantes na conversação: o institucional e diplomático, com termos como “Casa Branca”, “encontro” e “Washington”; o político-eleitoral, com referências ao número de urna de Flávio e ao PL; e o de segurança pública e política externa, com destaque para “PCC”, “CV”, “terroristas” e “Marco Rubio”.
O monitoramento também destaca o quanto aliados de Flávio trataram a viagem como uma vitória do pré-candidato, com afirmações como a de que o senador fez mais pela segurança pública brasileira em alguns dias do que os governos do PT em cinco mandatos.
Por outro lado, críticos do bolsonarismo trataram o encontro com Trump e integrantes do governo americano como uma forma de desviar o foco do caso Master e das mensagens trocadas entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, assim como da queda do pré-candidato em pesquisas de intenção de voto, que apontaram vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em simulações de segundo turno após a divulgação das conversas.