Selma Rita Severo Lins era daquelas jornalistas com presença. Pelo olhar dela, já se sabia se um fato era relevante para ser notícia ou não. Não gostava de enrolação. Era direta, objetiva e já dava uma solução para tudo. Ao mesmo tempo, ensinava e se tornava uma base para quem queria aprender.
Tem a imagem? Como vamos contar isso? O que é o mais importante? Eram perguntas frequentes dela. Influenciou gerações de jornalistas, trabalhou na TV Globo, SBT e Record.
Foi editora-chefe de Boris Casoy e coordenou o “Jornal Nacional” em São Paulo, seu último cargo, no qual ficou por mais de 15 anos. Foi uma das “madrinhas” de William Bonner para que ele se tornasse âncora. Fez história no jornalismo.
Ela morreu neste sábado (18) por complicações de câncer. Estava internada em um hospital da zona Sul de São Paulo. Lutou contra a doença por mais de 20 anos. E como foi forte… reflexo da sua força também na defesa do jornalismo.
Deixa o marido e um filho. E uma legião de jornalistas formados por ela.
Peço a licença de escrever em primeira pessoa nesta parte desse texto, pois sou uma desses profissionais. Selma me ensinou a fazer jornalismo televisivo, foi base, e me dava aulas diárias sobre o que é necessário para um fato virar notícia. Foi como uma mãe, me acolheu e defendeu.
O jornalismo está mais triste hoje, mas a força de Selma fica e o deixa melhor.