Nigel Farage, o líder do partido de ultradireita britânico Reform UK (Reforma no Reino Unido), anunciou nesta terça-feira (7) que vai renunciar à sua cadeira no Parlamento depois de ter sido acusado de receber milhões de libras esterlinas de apoiadores sem declarar os recursos.
Trata-se, no entanto, de uma manobra política de Farage para tentar limpar o seu nome e continuar no posto, já que ele anunciou na sequência que vai se candidatar à mesma cadeira nas eleições suplementares que serão convocadas depois de sua renúncia.
Como o sistema político britânico é o de voto distrital, cada vez que um político renuncia ou é afastado de seu cargo no Parlamento, as autoridades locais convocam eleições imediatamente para que o distrito continue sendo representado.
Ao controlar o partido, Farage tem poder para determinar que ele mesmo se candidate ao posto do qual renunciou. Segundo ele, toda essa manobra será feita para que “o povo decida” o seu futuro político.
“Esta será uma eleição suplementar do povo contra o establishment”, disse ele. “Lutarei para vencer. Lutarei para dar continuidade à revolução política que o Reform iniciou.”
Farage costuma adotar um discurso frequentemente acusado de ser populista e defende políticas discriminatórias contra imigrantes, além de ter sido um dos principais nomes da campanha pelo Brexit, que levou o Reino Unido a sair da União Europeia.
Nos últimos tempos, a imprensa britânica revelou várias acusações de que ele recebeu muito dinheiro de pessoas que o apoiam sem ter declarado isso às autoridades e ao Parlamento, que já abriu uma investigação ética sobre seu comportamento.
O último episódio foi revelado pelo jornal “Sunday Times” no fim de semana.
Segundo o veículo, Farage teria recebido 5 milhões de libras (cerca de R$ 35 milhões) de George Cottrell, um aliado que foi preso em 2017 por fraude nos Estados Unidos.
O dinheiro teria sido usado para o pagamento da segurança de Farage e da equipe responsável por suas redes sociais, antes das eleições.
O líder do Reform UK disse que “seguiu as regras” e que é uma vítima de uma “campanha difamatória do establishment”.
A intenção de Farage, com a renúncia e anúncio de que vai concorrer ao mesmo cargo, é sufocar o debate ético sobre seu comportamento, o que pode acontecer caso ele de fato vença as eleições no distrito de Clacton-on-Sea, onde o Reform tem forte apoio popular.