O ministro dos Transportes, George Santoro, defendeu mais transparência por parte do Banco Central na definição da taxa básica de juros e criticou o atual patamar da Selic. A declaração foi dada em meio ao debate sobre os impactos dos juros elevados nos investimentos em infraestrutura e no ambiente de negócios do país.
Durante o evento de inauguração da Ferrovia Estadual do Mato Grosso, o ministro disse que o Banco Central precisa ampliar a divulgação das informações que embasam as decisões de política monetária. “É preciso desenvolver no país uma agenda importante para a redução desses juros. O Banco Central precisa discutir a transparência das suas soluções, como é fixada essa taxa atualmente. É importante a gente discutir isso”, afirmou.
Santoro ressaltou que não questiona a autonomia da autoridade monetária, mas sim a forma como as decisões são comunicadas à sociedade. Como exemplo, citou o modelo adotado pelo Fed (Federal Reserve), o banco central dos Estados Unidos. “É preciso dar transparência na metodologia. Não estou discutindo a independência, estou discutindo a forma. O Fed americano grava todas as reuniões e posteriormente divulga”, disse.
Para o ministro, mais clareza sobre o processo decisório ajudaria a construir uma agenda voltada à redução dos juros no país. “Nós precisamos melhorar essa transparência para reunir uma agenda fundamental porque, com juros compatíveis, há desenvolvimento da infraestrutura e de novos negócios nesse país”, afirmou.
As declarações ocorrem em um momento em que a taxa Selic permanece em patamar elevado, o que, segundo representantes do setor de infraestrutura, aumenta o custo do crédito e dificulta a viabilização de novos projetos de longo prazo.
Na última quarta-feira (17), o Banco Central reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,25% ao ano. Esta foi a terceira reunião seguida de cortes pela autoridade monetária, as três com reduções de 0,25 ponto.
A decisão ficou em linha com as expectativas do mercado e ocorre em meio a um cenário de inflação ainda pressionada, incertezas fiscais domésticas e tensões geopolíticas no Oriente Médio.
*A repórter viajou a convite da Rumo