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Uma mulher de 37 anos foi presa, na última terça-feira (2), após se passar por uma adolescente de 12 anos e viver como filha adotiva de uma família em Joinville, no norte de Santa Catarina. Ao todo, a farsa durou cerca de 14 meses.

A mulher, que se apresentava como “Gabriele”, utilizava de chantagens emocionais, para poder obter benefícios financeiros com a família. A suspeita chegou a relatar ter sido vítima de maus-tratos por parte do pai biológico, de que ele teria a obrigado a se prostituir, e de que era portadora de TEA (Transtorno de Espectro Autista).

Segundo a Polícia Civil, durante o tempo em que conviveu eles, ela chegou a pedir quantias via Pix em nome de terceiros.

A gente está investigando até envolvimento de terceiros também no fato, porque ela chegou a pedir a transferência de PIX para essa família adotiva em nome do terceiro.

Delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso

De acordo com os investigadores, a adoção nunca foi formalizada pelos meios legais, como previsto na legislação. Em depoimento, os familiares relataram que tentaram iniciar os procedimentos necessários e chegaram, inclusive, a tentar matricular a suposta adolescente em uma instituição de ensino.

No entanto, segundo a polícia, a mulher tentava impedir o avanço do processo. Ela alegava que uma adoção formal comunicaria sua localização ao pai biológico e que, por isso, teria medo.

Como o crime foi descoberto?

O crime foi descoberto após uma tia, que pertencia à família adotiva da mulher, procurar a polícia. Ela e o pai adotivo da suspeita realizaram pesquisas na internet e constataram que a mulher já havia cometido o mesmo crime em ao menos cinco estados diferentes.

Durante as investigações, a Polícia Civil identificou a verdadeira identidade da suspeita e constatou que ela possuía registros de ocorrências em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.

A mulher confessou os crimes durante o interrogatório policial. Após ser presa em flagrante pelos crimes de estelionato e falsa identidade, ela foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição da Justiça.

Como ela se passava por uma adolescente

A mulher, que usava falsamente o nome de “Gabriele”, residia com os pais adotivos há aproximadamente 14 meses e, ao longo desse período, apresentava comportamentos infantilizados e lúdicos, utilizando mamadeiras, chupetas e um “cheirinho” para dormir frequente.

De acordo com o delegado Rodrigo Bueno Gusso, ela tinha um quarto só dela, todo pintado de rosa e com adereços para crianças. A infratora fingia também sofrer crises de pânico, inseguranças para dormir sozinha e pedia para a mãe adotiva a colocasse na cama. 

Segundo a Polícia Civil, a mulher sustentava o disfarce sob a alegação de ser portadora de autismo e de outras condições clínicas, o que fazia com que seus traços aparentassem ser de uma pessoa mais velha.

A mulher ainda de justificava sua aparência de adulta dizendo que seus traços eram decorrentes da utilização de hormônios de forma forçada durante a infância.

Ela afirmava à família adotiva ter sido submetida à prostituição durante a infância, inclusive sendo obrigada a tomar hormônios. De acordo com a corporação, esses alegações fez com que a família acreditasse na investigada.

*Sob supervisão de AR.



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