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O governo Lula recebeu com “contrariedade” e “indignação” a proposta dos Estados Unidos de impor novas tarifas ao Brasil. A avaliação é feita por assessores de Lula envolvidos diretamente nas negociações.

Integrantes do Planalto argumentam que não há justificativa econômica para a medida, enfatizando que o Brasil está entre os poucos países com os quais os EUA mantêm superávit comercial.

Interlocutores do governo argumentam que a investigação que embasa a iniciativa tem a digital da família Bolsonaro. Eles recordam que integrantes do governo americano com posições conflituosas em relação ao Brasil mantêm proximidade com os filhos do ex-presidente.

Para assessores de Lula, a recente visita de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos contribuiu para a decisão do USTR. A leitura de aliados é que os encontros de Lula com o presidente americano até ajudaram a diminuir as tensões, mas não foram suficientes pela atuação do entorno do presidente americano.

Até o momento, não há previsão de uma conversa direta entre Lula e Trump.

Com a decisão desta terça, o governo considera que o Brasil está diante de dois ataques simultâneos recentes. O primeiro envolve a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, que, segundo o governo, pode resultar em sanções no sistema financeiro, sob o argumento de combate ao crime organizado. O segundo está relacionado à aplicação de tarifas comerciais por meio da Seção 301 da legislação americana e os efeitos da decisão sobre as negociações já feitas antes sobre o tarifaço.

A menção à Seção 301 na carta enviada por Trump ao Brasil, que também citava o ex-presidente Jair Bolsonaro, reforça, na visão do governo brasileiro, a percepção de que há motivação política por trás da iniciativa do USTR, uma vez que os argumentos apresentados agora são semelhantes aos utilizados anteriormente.

Flávio nega

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rebateu críticas do governo e negou ter atuado para prejudicar o Brasil junto aos Estados Unidos.

À rádio Itatiaia, o senador afirmou que apenas apresentou às autoridades americanas preocupações relacionadas ao avanço do crime organizado e voltou a defender que facções como PCC e Comando Vermelho sejam classificadas como organizações terroristas.

Flávio também rejeitou a tese de que tenha incentivado medidas econômicas contra o país e atribuiu a reação do Planalto à tentativa de politizar a discussão.



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