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Microplásticos em todos os pontos analisados, agrotóxicos, metais, fármacos e drogas ilícitas distribuídos ao longo de toda a bacia. A Expedição Tietê 2025, promovida pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com pesquisadores da Unifesp, UFABC, USP e USCS, amplia de forma significativa o diagnóstico ambiental do principal rio paulista.

Ao percorrer cerca de 1.100 quilômetros do rio e analisar 14 pontos de amostragem, o estudo conclui que não existe trecho completamente livre de contaminação e evidencia que a qualidade ambiental do Tietê passou a depender de fatores muito mais complexos do que
aqueles tradicionalmente monitorados.

O levantamento identificou microplásticos em todos os pontos analisados, além de agrotóxicos, metais, fármacos, drogas ilícitas e outros contaminantes emergentes. Mais do que ampliar a lista de substâncias presentes no rio, esses resultados revelam uma mudança na
própria natureza da poluição.

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O desafio já não consiste apenas em reduzir a carga orgânica lançada nas águas, mas em compreender e controlar uma combinação de compostos provenientes das atividades urbanas, industriais e agrícolas.

Esse é o ponto mais importante do levantamento: o Tietê não está apenas contaminado; ele passou a exigir uma forma mais sofisticada de ser observado. Essa mudança merece atenção porque os contaminantes emergentes seguem uma lógica distinta daquela observada nos poluentes convencionais.

Muitos chegam aos rios em baixas concentrações, por diferentes fontes simultaneamente, permanecem por longos períodos no ambiente e ainda são objeto de intensa investigação científica quanto aos seus efeitos cumulativos sobre os ecossistemas aquáticos e a saúde humana. Sua presença exige métodos analíticos mais sofisticados e amplia a complexidade do monitoramento ambiental.

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Outro aspecto relevante do estudo é a abordagem integrada. Em vez de avaliar isoladamente parâmetros físico-químicos ou microbiológicos, a Expedição Tietê reuniu análises de diferentes naturezas para construir um panorama único da qualidade ambiental do rio. Essa visão
multidisciplinar permite compreender que a degradação resulta da sobreposição de múltiplas pressões, e não da ação de uma única fonte de poluição.

O diagnóstico também reforça uma tendência observada em diversos sistemas hídricos ao redor do mundo. À medida que novas substâncias passam a fazer parte do cotidiano da sociedade, elas também integram a composição química dos rios. Medicamentos, resíduos plásticos, defensivos agrícolas e outros compostos deixam de ser apenas produtos do consumo contemporâneo para se tornarem componentes permanentes do ambiente, impondo desafios inéditos à gestão dos recursos hídricos.

A principal contribuição da Expedição Tietê 2025 está justamente em atualizar a forma como se observa o rio. O estudo não substitui os indicadores tradicionais de qualidade da água, mas demonstra que eles já não são suficientes para descrever a complexidade da contaminação.

Compreender o Tietê do século XXI exige olhar além do esgoto e incorporar uma nova geração de contaminantes ao diagnóstico ambiental. É essa mudança de perspectiva que torna o levantamento um marco importante para o monitoramento e para o planejamento das futuras
políticas de recuperação do principal rio paulista.

E esse é um alerta que vai além do Tietê: os rios brasileiros estão entrando em uma fase em que saneamento, resíduos, agricultura e consumo precisam ser tratados como partes de umamesma política pública.



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