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Durante semanas, o mundo discutiu os riscos da disparada do petróleo. O temor de interrupções na oferta global de energia elevou preocupações com inflação, juros mais altos e desaceleração econômica. Mas, quando a tensão diminui, a pergunta muda.

O mercado financeiro raramente fica preso ao presente. Enquanto o noticiário ainda tenta entender os efeitos do acordo anunciado entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, investidores já começaram a procurar os setores que podem se beneficiar de um cenário de energia mais barata e menor percepção de risco.

A reação das bolsas nesta segunda-feira (15) foi um retrato dessa mudança de humor.

O petróleo Brent fechou em queda de 4,76%, a US$ 83,17 o barril, atingindo o menor nível em três meses e eliminando boa parte do prêmio de risco acumulado durante o conflito.

Mas a parte mais interessante dessa história não está na queda do petróleo. A cereja do bolo aparece justamente nos ativos que costumam ganhar força quando os custos de energia recuam e o crescimento econômico volta ao radar.

No Brasil, a Embraer liderou os ganhos do Ibovespa, com alta superior a 7% no fechamento. No exterior, a Airbus avançou 2,45%.

As companhias aéreas também decolaram, literalmente. A American Airlines subiu mais de 3% durante o pregão em Nova York.

Na América Latina, a Azul disparou quase 6%, enquanto a Latam Airlines bateu quase 4% de alta ao longo do dia.

O mercado parece ter enxergado rapidamente o que pode vir pela frente. Combustível é um dos principais custos operacionais da aviação. Quando o petróleo cai, as margens melhoram. Mas o efeito vai muito além dos aeroportos.

Quando a energia deixa de pressionar a inflação, temos espaço para uma economia mais leve. Custo menor para empresas significa menos pressão sobre a logística e um ambiente potencialmente mais favorável para os juros, o que costuma beneficiar setores ligados ao consumo, ao lazer, ao varejo e aos serviços.

É justamente por isso que a queda do petróleo raramente é apenas uma notícia sobre petróleo. Ela muda expectativas. E os mercados costumam reagir primeiro às expectativas, não aos fatos consumados.

No Brasil, essa mudança de narrativa ficou evidente. Embora o Ibovespa tenha fechado em leve queda, o movimento do dia mostrou uma clara troca de posições entre setores.

Enquanto as petroleiras perderam espaço com a retirada do prêmio de risco do barril, empresas mais ligadas à atividade econômica passaram a atrair o interesse dos investidores.



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