O Brasil continua atraindo a atenção e o dinheiro de investidores estrangeiros, mesmo diante de uma situação fiscal complicada e da proximidade das eleições presidenciais. Setores como alimentos, energia e minerais críticos têm impulsionado esse interesse internacional no país.

Segundo Solange Srour, colunista do CNN Money que esteve recentemente nas reuniões de primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial em Washington, o Brasil está sendo muito bem visto pelos estrangeiros neste momento.

“A guerra no Irã aprofundou uma tendência que já estávamos vendo desde a guerra da Rússia e Ucrânia e desde a pandemia, que é um aumento do risco geopolítico“, explicou Srour.

Neutralidade e commodities: vantagens brasileiras

De acordo com a especialista, os investidores estão em busca de países que sejam neutros na arena geopolítica – especialmente considerando a inevitável divisão entre Estados Unidos e China – e que possuam commodities, insumos essenciais para qualquer tipo de produção.

“O Brasil tem petróleo, energia, diversas commodities agrícolas e minerais, e terras raras, que estão no meio desse conflito entre Estados Unidos e China“, destacou.

Srour ressalta que a situação fiscal brasileira, embora preocupante, é vista como sustentável no curto prazo. Porém, ela alerta que o cenário eleitoral traz a possibilidade de mudança de regime econômico, o que pode impactar as perspectivas de investimento no país.

Mesmo assim, o Brasil continua sendo o país emergente que mais se destacou nas conversas internacionais.

Ativos brasileiros no radar dos investidores

Questionada sobre quais ativos brasileiros atraem mais o interesse estrangeiro, Srour apontou que o câmbio é o primeiro ativo, dada a diversificação em relação ao dólar e a taxa de juros atrativa do país.

Em segundo lugar estaria a bolsa de valores, onde os investidores acreditam haver espaço para valorização importante. Por último viria a renda fixa, que segundo ela, é prejudicada pela questão fiscal.

“Se a gente não aproveita esse momento para jogar esse juro real para baixo, que hoje é em torno de 7,5% para qualquer prazo, alguma hora isso vai pesar. O problema de endividamento no Brasil é sério“, alertou a especialista.

Ela defende que o país precisa aproveitar o cenário externo favorável para fazer ajustes preventivos, evitando uma situação mais complicada no futuro, que poderia levar a uma recessão profunda.



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