O presidente camaronês Paul Biya, de 92 anos, foi oficialmente declarado vencedor das eleições presidenciais realizadas em 12 de outubro de 2025, garantindo seu oitavo mandato consecutivo no poder. O anúncio foi feito pelo Conselho Constitucional do país, que registrou 53,66 % dos votos para Biya, enquanto seu principal oponente, Issa Tchiroma Bakary, obteve cerca de 35,19 %.
Biya está no comando do país desde 1982, tornando-se um dos líderes mais duradouros da África e o mais velho atualmente no exercício de uma presidência mundialmente. Em 2008, o limite de mandatos presidenciais em Camarões foi abolido, o que abriu espaço para esta nova reeleição.
Cenário eleitoral e ambiente político
A eleição ocorreu em meio a tensão política crescente: a oposição denunciou irregularidades, incluindo urnas com eleitores falecidos, superlotação de listas eleitorais e restrições ao direito de manifestação. Em várias cidades, como a capital Yaoundé e a maior cidade Douala, houve confrontos entre manifestantes e as forças de segurança. O desgaste entre a juventude — que representa mais de 70% da população e demanda mudanças — e o gabinete de Biya ficou evidente no pleito.
Desafios à frente
Apesar da vitória, Camarões enfrenta problemas persistentes: altas taxas de desemprego entre jovens, infraestrutura deteriorada, crise nos setores falantes do inglês que buscam separação, e ataques de grupos militantes no norte do país. A continuação de Biya no poder levanta dúvidas sobre a abertura de espaço para renovação política e democrática no país.
O que vem a seguir
Com o resultado oficial, Biya se prepara para mais sete anos no cargo — o que o levaria a governar até próximo dos 99 anos de idade. A oposição já anunciou que não reconhece os resultados, o que poderá levar a mais protestos e instabilidade política em Camarões.